Governo muda estratégia e passa a ouvir Centrão antes de enviar projetos

O governo federal começou nas últimas semanas a ouvir mais a opinião de deputados e senadores antes de enviar matérias para serem votadas no Congresso. A reunião mais ampla com aliados do Poder Legislativo aconteceu na terça-feira (1º), antes do anúncio da prorrogação do auxílio emergencial com valor de R$ 300.

A intenção é que antes de enviar as participações restantes do governo na reforma tributária, que prevê mudanças no IPI, no Imposto de Renda, a desoneração e a criação de um tributo sobre transações digitais, as medidas sejam conversadas com os partidos aliados. “Sempre vai ter um diálogo com as lideranças para evitar surpresas. Você evita a não aprovação ou rejeição de medidas que não forem previamente acertadas”, disse um assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes.

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A mudança de estratégia se intensificou após o presidente Jair Bolsonaro escolher Ricardo Barros (PP-PR) para ser líder do governo na Câmara.

Na semana passada, Barros comentou ao Congresso em Foco sobre a mudança. “É um processo novo, estou construindo um novo jeito para a gente ir mais articulado com as decisões do governo, mais acordados. Se tiver alguma decisão, vai precisar aprovar, então vamos combinar as coisas para facilitar a aprovação”.

O governo já sofreu bastante derrotas no Congresso. Iniciativas como a carteira de trabalho verde amarela, que retirava encargos trabalhistas para o pagamento de benefícios sociais com o objetivo de aumentar as contratações, foram derrubadas por conta da insatisfação de congressistas.

O governo já teve que suspender efeitos de uma medida provisória que suspendia contrato de trabalho por conta de reclamações e o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), já tomou a iniciativa de devolver uma MP enviada pelo então ministro da Educação Abraham Weintraub, que mudava o método na escolha de reitores.

Na manhã desta quarta-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro recebeu no Palácio da Alvorada a bancada do Republicanos, incluindo o presidente nacional da sigla, deputado Marcos Pereira (SP). Também estiveram no encontro o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e os líderes do governo na Câmara, Senado e Congresso.

O partido, junto com PP, PL e PSD, faz parte das legendas que formam o núcleo de apoio às pautas do governo no Congresso.

Como forma de também garantir espaço na articulação do governo, o líder do Republicanos, deputado Jonathan de Jesus (RR), indicou o deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) para ser vice-líder do governo na Câmara.

Na reunião, o presidente recebeu da bancada do Republicanos o compromisso de trabalhar pela reforma administrativa e para manter em R$ 300 a prorrogação do auxílio emergencial.

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