Flavio Bolsonaro e Joice tentam conter revolta de Maia com o governo

O anúncio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de se afastar da articulação política em prol da reforma da Previdência acendeu um sinal de alerta na cúpula do Palácio do Planalto. E gerou um movimento de aliados do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais nesta sexta-feira (22) para tentara apagar um incêndio inciado, em partes, por um dos filhos dele, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

O primogênito, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse, em sua conta no Twitter, que Maia é "fundamental" à reforma.

Também a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-PR), foi às redes afagar o presidente da Câmara.

A semana foi de intenso tumulto político, apesar do almoço que reuniu os presidentes dos poderes no fim de semana para tentar acalmar os ânimos, já exaltados desde semana passada.

Teve mensagem do ministro da Justiça, Sérgio Moro, a Maia cobrando-o por não acelerar a votação do pacote de segurança enviado ao Congresso. Houve ainda a edição do decreto com as normas para indicação aos cargos de segundo e terceiro escalão nos estados. Mas a gota d'água veio na quarta (21), com o projeto previdenciário dos militares, avaliado por muitas lideranças como benéfico à categoria.

Principal fiador da proposta na Câmara, Maia tem se sentido desgastado nas negociações. A seu núcleo político mais próximo, vem declarando insatisfação com as críticas que tem recebido de bolsonaristas. E mencionou, em especial, o conhecido como 03, Carlos Bolsonaro. Reclamou de um post específico do verador carioca que faz menção ao bate boca que Maia e Moro protagonizaram na quarta pela imprensa em torno do projeto de segurança pública.

Na quinta (21), ligou para o ministro da Economia, Paulo Guedes, e avisou que está fora das articulações pela proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência. Na ocasião, disse que é papel do governo reunir os votos necessários para aprovar o texto e não dele. E que, como presidente da Câmara, a ele cabe pautar a proposta quando o governo achar que tem os votos necessários para aprovar.

Em resposta à deputada estadual em São Paulo Janaina Paschoal (PSL), que questionou sua postura, disse que não é contra a reforma, ao contrário, que nunca deixaria de defendê-la.

Um dos aliados mais próximos de Maia, o deputado Paulinho da Força (SD-SP), afirmou que, sem ele, a reforma perdeu as chances. "Na terça já vamos levar uma caixão, porque a reforma está enterrada", ironizou.

 

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