Dos 22 ministros do novo governo, 5 tiveram cargos eletivos

Encerrada no último domingo (9) com a nomeação de Ricardo de Aquino Salles para o Meio Ambiente, a montagem da equipe ministerial do futuro governo Jair Bolsonaro (PSL) revela um grupo com forte presença de militares e "outsiders" na política. Dos 22 futuros titulares das pastas, apenas 5 (todos deputados federais) já tiveram algum cargo eletivo, e parte dos anunciados nunca ocupou um cargo público.

Seis ministros têm fortes ligações com as Forças Armadas: na futura equipe há três generais do Exército (que ocupam, além do ministério da Defesa, pastas importantes ligadas diretamente ao gabinete presidencial) e a Marinha e a Aeronáutica também foram prestigiadas na futura Esplanada. Serão 20 ministros homens e 2 mulheres (Tereza Cristina, da Agricultura, e Damares Alves, de Direitos Humanos). Confira a futura Esplanada:

Ministros militares

Ministro da Defesa

General Fernando Azevedo e Silva

General da reserva, Azevedo e Silva foi chefe do Estado-Maior do Exército. Foi indicado para a Defesa após Bolsonaro levar o general Augusto Heleno ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Até ser anunciado, o militar assessorava o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que foi consultado por Bolsonaro para a indicação.

Ministro das Minas e Energia

Almirante Bento Costa

Militar desde a década de 1970, é diretor geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha e faz parte do conselho de administração da Nuclebras, que desenvolve o programa nuclear brasileiro. É pós-graduado em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e tem MBA em gestão pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ministro da Ciência e Tecnologia

Marcos Pontes

Primeiro brasileiro a ir ao espaço, é tenente-coronel da Aeronáutica e formado pelo ITA. Paulista de Bauru, já tentou uma vaga na Câmara em 2014 pelo PSB, com o nome de "astronauta Marcos Pontes", mas não se elegeu. Filiou-se ao PSL de Bolsonaro no início do ano e acabou eleito suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP).

Secretaria de Governo

General Santos Cruz

Outro ministro militar que comandou a missão de paz no Haiti, por quase três anos. Também comandou uma missão de paz no Congo, de 2013 a 2015. – Foi Secretário Nacional de Segurança Pública entre 2017 e 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB) e chegou a ser cogitado à mesma secretaria para o governo Bolsonaro, mas acabou ficando com a Secretaria de Governo

Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

General Augusto Heleno

General da reserva do Exército, Augusto Heleno já era consultor de Bolsonaro durante a campanha, especialmente em assuntos ligados à segurança pública. Foi comandante militar da Amazônia e o primeiro comandante da missão de paz da ONU do Haiti, de 2004 a 2005. Tido como homem de confiança de Bolsonaro, foi inicialmente indicado como ministro da Defesa, mas o presidente eleito, que o quer mais próximo do Planalto, o redirecionou ao GSI.

Infraestrutura

Tarcísio Gomes

Formado pelo IME (Instituto Militar de Engenharia) e pela Academia Militar de Agulhas Negras - onde Bolsonaro também esteve -, atua como consultor legislativo na Câmara dos Deputados e já foi diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Ministros políticos

Turismo

Marcelo Álvaro Antônio

Prestes a completar seu segundo mandato na Câmara, foi o deputado mais votado de Minas Gerais nas últimas eleições, com apoio de mais de 230 mil eleitores. Aos 44 anos, recebeu apoio de deputados da bancada do turismo e do chamado "trade" do setor, que reúne empresários de grupos interessados na pauta.

Cidadania

Osmar Terra

Único membro do MDB na futura Esplanada de Bolsonaro, o deputado é filiado ao partido desde a década de 1980. Foi ministro do Desenvolvimento Social do presidente Michel Temer por quase dois anos (de maio de 2016 a abril de 2018). Sua pasta unirá os extintos ministério da Cultura e Esporte, além de Desenvolvimento Social.

Agricultura

Tereza Cristina

Atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), a chamada bancada ruralista, Tereza foi a primeira mulher indicada à Esplanada de Bolsonaro. Engenheira Agrônoma e empresária, já foi secretária de Desenvolvimento Agrário no Mato Grosso do Sul. Por sua ligação com a bancada ruralista, espera-se que dê, à frente da pasta, atenção aos interesses do grupo.

Saúde

Luiz Henrique Mandetta

Ortopedista e deputado federal pelo DEM-MS, foi um dos criadores da Frente Parlamentar da Medicina, criada no final de 2017.  Afirmou que o Mais Médicos "era uma parceria entre o PT e Cuba" e anunciou, para a secretaria que cuidará do programa a partir de 2019, uma médica que também era contrária à iniciativa. Assim como Tereza Cristina, da Agricultura, também foi secretário estadual no Mato Grosso do Sul.

Casa Civil

Onyx Lorenzoni

Deputado federal pelo DEM-RS, encerra neste ano seu quarto mandato na Câmara. Contrariando o partido, que apoiou Geraldo Alckmin na disputa à Presidência, apoiou Bolsonaro desde o 1° semestre e já era indicado à Casa Civil desde antes da vitória nas urnas. Confessou ter usado R$ 200 mil da JBS em campanha sem declarar o valor (caixa 2), o que classificou como um "erro"

Demais Ministros

Economia

Paulo Guedes

Nome conhecido do mercado financeiro há mais de 30 anos, foi um dos fundadores do banco BTG Pactual e atualmente é sócio da Bozano Investimentos. Se aproximou de Bolsonaro em 2017 e virou seu "posto ipiranga" para assuntos econômicos meses antes da campanha, após o apresentador Luciano Huck desistir da disputa. É economista liberal, defende alto grau de privatizações e redução da presença do Estado.

CGU

Wagner Rosário

Único ministro do governo Temer que permanecerá no cargo. Natural de Juiz de Fora (MG), tem formação militar e é auditor Federal de Finanças e Controle desde 2009. Fez mestrado em Combate à Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha.

AGU

André Luiz Mendonça

O futuro advogado-geral da União é pós-graduado em Direito Público pela Universidade de Brasília (UnB). É advogado da União desde 2000 e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília. O cargo deverá ser importante na defesa das pautas do governo junto à Justiça

Direitos Humanos

Damares Alves

É assessora parlamentar do senador Magno Malta (PR-ES), que foi um dos maiores colaboradores da campanha de Boslonaro mas não teve espaço no primeiro escalão. Pastora evangélica, foi abusada sexualmente na infância e se diz contrária à "ideologia de gênero" e à descriminalização do aborto. Sua pasta também ficará com a Fundação Nacional do Índio (Funai)

Banco Central

Roberto Campos Neto

Executivo do Banco Santander, é neto do economista Roberto Campos, ministro do Planejamento nos primeiros anos da ditadura militar. Assume uma pasta que o governo Bolsonaro quer, a médio prazo, extinguir, já que pretende dar independência ao Banco Central, o que tirará seu status de ministério.

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Desenvolvimento Regional

Gustavo Canuto

Servidor do Ministério do Planejamento, não tem filiação partidária e é formado em Engenharia a Computação e Direito. Também já passou pelas secretarias de Aviação Civil e Geral da Presidência, além da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Relações Exteirores

Ernesto Araújo

O futuro chanceler é diplomata, mas nunca chefiou uma embaixada. Hoje é diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos. Em artigos, diz que é preciso "libertar o Itamaraty do marxismo cultural", quer ampliar o alinhamento brasileiro aos Estados Unidos. Mantém um blog "contra o globalismo", em que defende, por exemplo, que as mudanças climáticas são "uma ideologia".

Justiça e Segurança Pública

Sergio Moro

Enquanto juiz federal, ganhou fama nacional a partir de 2014 a conduzir os processos da operação Lava Jato. Antes de ter aceitado o convite ao Executivo de Bolsonaro, especulava-se que seria nomeado ao Supremo Tribunal Federal (STF) - o que anda pode ocorrer, já que a próxima vaga na Corte só se abrirá em 2020. Acusado pelo PT de parcialidade contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz que não pode pautar sua vida "em uma fantasia de perseguição política".

Educação

Ricardo Vélez Rodríguez

Foi anunciado após outros dois nomes - o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves, e o procurado Guilherme Schelb - terem sido sondados para a pasta. Nascido na Colômbia, o professor e filósofo, autor de mais de 30 obras mora em Juiz de Fora-MG (cidade onde Bolsonaro foi esfaqueado durante a campanha) e foi indicado ao cargo pelo filósofo Olavo de Carvalho, assim como o futuro chanceler Ernesto Araújo.

Meio Ambiente

Ricardo de Aquino Salles

Foi secretário do Meio Ambiente de São Paulo sob a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) e deixou o cargo após ter sido alvo de uma investigação para apurar supostas interferências no zoneamento do plano de manejo da Várzea do Rio Tietê. Diz que as políticas de Meio Ambiente no Brasil "tratam o setor produtivo como persona non grata".

Secretaria da Presidência

Gustavo Bebianno

Advogado, ofereceu apoio jurídico a Bolsonaro de maneira informal, ainda em 2014, mas só teve a ajuda aceita em 2017, já nos preparativos para a campanha presidencial. Ganhou espaço no círculo próximo do então candidato até virar coordenador da campanha e presidente do PSL. Após a vitória nas urnas, devolveu o comando do partido ao deputado Luciano Bivar e foi nomeado ao gabinete.

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