Discurso de Bolsonaro na ONU gera enxurrada de críticas; aliados rebatem

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na manhã desta terça-feira, polarizou os debates no Twitter. Representantes de diferentes orientações políticas foram ao Twitter criticar o discurso presidencial, enquanto apoiadores e membros da base política do presidente elogiaram os temas abordados no discurso.

Na sua fala, que durou cerca de 15 minutos, o presidente defendeu o agronegócio brasileiro e afirmou que o país é "vítima de uma guerra de desinformação sobre Amazônia e Pantanal".

No pronunciamento, Bolsonaro se eximiu de responsabilidade pelo aumento do desmatamento e das queimadas no país e pelo elevado número de mortos por covid-19, áreas em que o país tem sido contestado internacionalmente.

A ex-senadora pelo Acre e ex-candidata a presidência Marina Silva (Rede) foi ao Twitter acusar Bolsonaro de "mentiras levianas":

O governador do estado do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) afirmou que Bolsonaro alcançou "deslealdade inédita" em discurso:

O líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ), engrossou as críticas ao pronunciamento:

Outro dos críticos foi o deputado Marcelo Freixo, do PSOL fluminense.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) ironizou o discurso de Bolsonaro.

O senador Humberto Costa (PT-PE)  apontou como "surreal" e "ridículo"o trecho onde o presidente diz que foram concedidos quase "1000 dólares de auxílio" (R$5.444) – ressaltando que a proposta inicial do governo era de R$ 200 por mês.

Outro que apontou a inconsistência no valor foi o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP):

E a vereadora do NOVO em São Paulo, Janaína Lima.

A deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS), líder do seu partido na Câmara, ressaltou a narrativa de que Bolsonaro construiu a ideia de um auxílio menor, sendo derrotado pelo Legislativo.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) definiu o discurso como uma tentativa do presidente de colocar a culpa sobre eventos no Brasil em outros atores.

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Entre os apoiadores do presidente e membros do Executivo, o discurso foi bem recebido. O ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, compartilhou uma foto onde o presidente assiste ao discurso com parte de seu gabinete no Palácio do Planalto.

Estão presentes na foto, além do presidente, ministros como o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, das Comunicações, Fábio Faria, e da Economia, Paulo Guedes. Ao centro estão o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-PR). Todos estão sem máscara.

Para o ex-líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo (PSL-GO), o discurso foi "excelente":

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Filipe Martins, destacou o trecho onde o presidente citou uma chamada conta a "Cristofobia" – o que seria interpretado como uma perseguição às religiões de matriz cristã no mundo.

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