Bolsonaro compara crise na relação com Maia a namoro e diz que vai procurá-lo

O presidente Jair Bolsonaro comparou a atual relação de seu governo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a um namoro em que uma das partes quer ir embora. Em visita ao Chile, onde participa de encontro com outros presidentes sul-americanos, Bolsonaro disse que pretende conversar com Maia para saber por que ele que anunciou que está saindo da articulação política da reforma da Previdência na Câmara. O presidente afirmou, ainda, que não deu motivo para que o deputado tomasse essa decisão.

“Eu quero saber o motivo que ele está saindo [da articulação da Previdência]. […] Estou sempre aberto ao diálogo. Eu estou fora do Brasil, mas quero saber qual o motivo, mais nada. Eu não dei motivo para ele sair”, disse Bolsonaro.

Segundo ele, há apenas uma maneira de se reaproximar do presidente da Câmara: “Só conversando, não é? Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis embora, o que você fez para ela voltar? Conversou?”. “Estou à disposição para conversar com o Rodrigo Maia, sem problema nenhum”, emendou.

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A semana foi de estremecimento na relação entre Maia e o governo Bolsonaro, com críticas públicas, inclusive, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Ele também se irritou com o que considerou provocações do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), um dos filhos do presidente, no Twitter. O deputado entende que está pagando um preço alto para aprovar a reforma da Previdência enquanto é atacado por governistas.

Em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta, Maia disse que a responsabilidade para aprovar a proposta “daqui para frente” é do governo.

“Vou pautar [a reforma] quando o presidente disser que tem votos para votar. A responsabilidade do diálogo com os deputados daqui para frente passa a ser do governo. É ele que vai negociar com os deputados. A reforma da Previdência continua sendo a minha prioridade, mas essa responsabilidade de articular com os deputados para construir uma base sólida é do presidente da República, não do presidente da Câmara. Ele tem que articular diretamente, chamar os presidentes dos partidos, as bancadas, ou não chamar e ver no que dá”, afirmou.

Nesta sexta, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-PR), foram às redes afagar o presidente da Câmara para tentar reverter os impasses e trazê-lo de volta ao jogo.

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