Bolsonaro anuncia recursos pra estados, mas cobra apoio dos governadores

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou um novo pacote de medidas após uma reunião com governadores do Norte e do Nordeste. Segundo o chefe do Executivo, R$ 8 bilhões serão encaminhados para a Saúde, R$ 16 bilhões serão destinados para os estados e municípios, R$ 2 bilhões para a assistência social e R$ 12 bilhões de suspensão da dívida dos estados. Somando essas medidas, com as demais já anunciadas, totalizam R$ 88,2 bilhões.

Após reação do Congresso, Bolsonaro revoga suspensão de contrato de trabalho

Porém, Bolsonaro deixou claro que espera um retorno destes governadores. "Obviamente pedimos que nossas medidas, que estão em tramitação na Câmara, tivessem um olhar especial deles", disse o chefe do Executivo.

Os governadores costumam ter um grande peso sobre as bancadas de deputados federais de seus estados. Com esse recado, o que o presidente está dizendo é que: uma vez que ele ajudou os estados com essas medidas, ele espera que os governadores o ajudem, convencendo os deputados a aprovarem as medidas que ele enviará para a Câmara.

Ataques aos estados

Novas críticas aos governos estaduais não deixaram de acontecer, mesmo que veladas. "Há lugares que pararam tanto, que não tinham mecânicos para consertar as máquinas hospitalares", se queixou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. "A vida não se resume a um vírus, a uma doença. Os problemas de saúde continuam acontecendo, as pessoas continuam tendo apendicite, precisando de tratamento", falou o ministro para explicar os problemas que a paralisação dos estados podem gerar no sistema de saúde.

Os nove governadores da região Nordeste haviam anunciado, mais cedo, a decisão de padronizar as ações de contenção ao alastramento do coronavírus e criaram grupos de trabalho com secretários estaduais de Saúde e da Fazenda.

Acalmar os ânimos

Desde o início da coletiva a tentativa foi de acalmar os ânimos. Segundo o ministro da Saúde, o país está produzindo em larga escala respiradores que servirão para o tratamento da doença. "A gente já consegue falar em 300, 400 respiradores por semana sendo produzidos aqui no Brasil para atender ao SUS", disse.

Bolsonaro foi embora

Apesar de ter sido anunciado que a coletiva seria com o presidente, após sua fala o chefe do Executivo abandonou o local, deixando os jornalistas sem respostas.

Um pergunta que ninguém respondeu foi sobre a fala do presidente no último fim de semana, quando Jair Bolsonaro disse que em breve a população iria descobrir que está sendo enganada pelos governadores em relação ao coronavírus. Diante da contradição dessa frase com a tentativa de dizer que está havendo harmonia entre o Planalto e os estados, não houve nenhum representante do Executivo que tenha se colocado à responder essa questão.

MP 927

Tema de muita polêmica no dia de hoje, a Medida Provisória (MP) 927 também foi assunto da coletiva. O governo justificou o fato de ter encaminhado a medida, dando ao empresário a possibilidade de suspender o contrato de trabalho por quatro meses, a uma confusão técnica.

Segundo o governo, em breve será anunciada uma nova medida, permitindo, da mesma maneira, ao empresário suspender o contrato de trabalho, porém, o governo apresentará nessa MP futura, uma contrapartida do governo federal, que garantirá que o empregado não fique sem renda durante este período.

Apesar de ter afirmado que essa era a ideia desde o início, o governo não soube explicar como funcionará, quando será publicada e nem porque foi publicada essa primeira parte em separado.

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