Bolsonaro anuncia reabertura do caso Adélio

O presidente Jair Bolsonaro, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, afirmou que o caso do Adélio Bispo será reaberto. Oposição afirma que o presidente, com isso, está confessando que irá interferir na Polícia Federal. Adélio já foi julgado por ter dado uma facada no então candidato durante a campanha presidencial.

"Vai ser reaberta a investigação. Vai fazer a investigação. Foi negligenciado. A conclusão foi 'um lobo solitário'. Como pode um lobo solitário com três advogados e quatro celulares?", falou Bolsonaro. Porém, os advogados de Jair Bolsonaro jamais recorreram da decisão que considerou Adélio inimputável.

"Se Bolsonaro discordasse do resultado da investigação sobre Adélio, teria recorrido no processo criminal em que houve sentença. Não recorreu, se satisfez com o resultado à época. De forma que fica nítido, óbvio, cristalino, que o que ele tenta agora é criar uma cortina de fumaça sobre o fato de que seu governo vai ladeira abaixo e que já há metade da população que apoia o seu impeachment",afirmou a deputada Natália Bonavides (PT-RN) ao Congresso em Foco.

Para a congressista, a declaração de Bolsonaro demonstra que ele pretende interferir nos trabalhos da Polícia Federal. "Com essa declaração, ele ainda deixa evidente o quanto vai interferir sem constrangimentos na Polícia Federal, agora sob nova direção, ao declarar o que a PF vai ou não fazer sobre esse caso", disse.

A nova direção citada por Natália é de um amigo da família, Alexandre Ramagem, que irá assumir o cargo de diretor-geral da PF. A aproximação de Ramagem dos filhos do presidente vem sendo apontada por diversos parlamentares. O novo diretor da Polícia Federal, passou a virada do ano com o filho vereador do presidente, Carlos Bolsonaro, foi um dos convidados do casamento de Eduardo Bolsonaro e "por muitas vezes" tomou café da manhã com o presidente, confirme o próprio Bolsonaro afirmou na noite desta terça-feira (28).

"Eu não tenho provas, mas eu tenho sentimentos, sugestão pra dar para a Polícia Federal", afirmou Bolsonaro sobre o caso Adélio. "O que for possível a Polícia Federal fazer, dentro da legalidade, para apurar quem pagou o Adélio para tentar me matar, vai fazer", afirmou o chefe do Executivo se dirigindo a imprensa.

"Muito me estranha que o presidente tenha acesso ao que a PF vai ou não investigar, antes mesmo da investigação. Mais parece uma prova do que acusou o ex-ministro Sergio Moro, uma interferência política na PF. Ainda mais estranho que Bolsonaro tire do baú uma denúncia que ele mesmo havia considerado resolvida", disse a líder do Psol, Fernanda Melchionna (RS).

O chefe do Executivo afirmou achar estranho somente o nome do filho dele, Carlos Bolsonaro, ter sido revelado pela mídia como sendo acusado de comandar um esquema de criação e propagação de fake news para intimidar autoridades públicas, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "Tem mais de dez parlamentares, por que só falam do Carlos? É para me atingir", disse.

Para Melchionna, o presidente colocou em questão o caso do Adélio, justamente para desviar o foco dessa investigação.  "Mas me parece que se trata de uma tentativa de desviar o foco dos criminosos do gabinete do ódio, incluindo um dos filhos do presidente", afirmou a líder.

Para o líder do PSB, Alessandro Molon (RJ), essas declarações de Bolsonaro, além de serem cortina de fumaça, deixam no ar a suspeita de que o presidente tenha colocado como condição para a nomeação de Ramagem, a interferência dele nesses casos. "Abordar este assunto agora representa uma clara tentativa de criar uma cortina de fumaça para escapar dos reais problemas que o Brasil enfrenta hoje: a crise do coronavírus e a retomada da economia. Além disso, não cabe ao presidente da República tomar este tipo de decisão. Como a troca da direção da PF ocorreu hoje, é inevitável suspeitar que esta foi a 'condição' para a escolha do novo chefe da instituição", declarou Molon.

 

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