Bolsonaristas tentam frustrar manifestação: “Não tem diálogo com comunista”

O grupo 300 do Brasil, após ter seu acampamento desmontado, tentou acabar com uma manifestação e com uma carreata organizada pela oposição. Frases como "vai dar o cú na China", "continua xingando, com comunista não se dialoga", foram ditas pela líder do grupo. Uma das manifestantes afirmou que a ação da oposição, contrária ao governo de Jair Bolsonaro, era "pró-aborto e pró-pedofilia". Ao contrário do que foi afirmado, nenhum cartaz ou fala dos opositores ao governo fazia qualquer referência a algum desses temas. A manifestação acontecia no gramado da Esplanada dos Ministérios.

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Num primeiro momento, os bolsonaristas sem máscaras sentaram em frente aos manifestantes que pediam pela saída de Jair Bolsonaro do poder e começou a provoca-los. "Olha seu relógio, olha seu tênis... reaja cara, reaja", disse Sara Winter pra um deles.

Os opositores estavam sentados dentro de círculos, que segundo fala de um policial militar durante o ato, foram colocados justamente para que fosse respeitado o isolamento social. Mas o grupo alinhado ao presidente invadiu os círculos para fazer as provocações. "Não seja um imbecil, não seja um idiota útil", disse a bolsonarista a um jovem, que permaneceu em silêncio.

O grupo de extrema-direita retirou as faixas dos manifestantes contrários ao governo, que pedia pelo impeachment de Jair Bolsonaro e no lugar, colocaram a bandeira do Brasil.

Enquanto alguns bolsonaristas conversaram com opositores, um grupo começou a inflamar os ânimos e entoar palavras de ordem como "esquerdas, fascistas, não passarão" enquanto caminhavam em meio a manifestação. A PM precisou intervir através do diálogo.

"Frustrar uma outra manifestação que tem os documentos para estarem se manifestando neste lugar, é um afrontamento direto do que está na Constituição. Uma manifestação não pode frustrar a outra", disse o policial militar Capitão Jorge da Silva aos 300 do Brasil. Apesar do nome, o grupo contava com mais ou menos 20 manifestantes.

Sara Winter se dirigiu aos policiais e com palavrões e tentou defender as ações dos bolsonaristas. "O senhor não se fodeu de estudar, ralou tanto pra ser instrumento de corrupto... Quando os senhores morrem, tombam, vai procurar esse bando de filha da puta pra defender os senhores", disse a líder do grupo que também xingou a Secretaria de Segurança Pública do DF.

Após esse ato, o grupo tentou atrapalhar outra manifestação, uma carreata contra Bolsonaro. Xingamentos e provocações foram feitas até todos os carros passarem. Tudo foi registrado pelo próprio grupo, em lives em suas redes sociais. "Vai dar o cú na China", "acabou o dinheiro", "comunista safado", "enfia o comunista no cú", "fora comunista" e "fora abortista, maconheiro" foram algumas das palavras de ordem do grupo, que afirma defender a família, a moral e os bons costumes.

 

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