Bispo enquadra padre que criticou Bolsonaro: “Reconhece que se excedeu”

O bispo da Diocese de Limeira, Dom José Roberto Fortes Palau, disse que o padre Edson Adélio Tagliaferro, que criticou Jair Bolsonaro durante uma missa, “reconhece que se excedeu em suas palavras e pede desculpas ao Sr. Presidente da República e a todos que se sentiram de algum modo atingidos”. Tagliaferro é o religioso que chamou Bolsonaro de “bandido” durante a homilia de uma celebração na última quinta-feira. O vídeo viralizou nas redes sociais.

Em missa, padre critica Bolsonaro e diz que eleitores deveriam se confessar

Em nota, o bispo afirmou que “infelizmente” o trecho da homilia “ganhou repercussão midiática pelo uso de palavras inadequadas” em referência ao presidente. Segundo Dom José Roberto, “qualquer opinião pessoal e isolada não representa a posição da Diocese de Limeira”. Ele disse que a Igreja Católica “não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político”.

Pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, do município paulista de Artur Nogueira, Tagliaferro afirmou domingo (5) que sua fala foi “descontextualizada”, mas ressaltou que havia discutido no dia da missa com uma eleitora de Bolsonaro. “É bom que saibam reconhecer no padre um ser humano que também sofre as incoerências da vida, tem suas lutas interiores e desafios exteriores a enfrentar. Naquele dia específico, eu tive uma conversa acalorada com uma apoiadora do presidente da República. Isso talvez tenha sido decisivo para o ocorrido.”

Na homilia, o padre condenou a postura do governo diante da pandemia de covid-19. “Um país que já chegou a 60 mil mortos pela pandemia e não tem um ministro da Saúde, vocês querem que eu fale o que? Aquilo que todos falam, que ele não trabalha porque não deixam ele trabalhar? Não! É porque ele não presta. Bolsonaro não vale nada”, afirmou. “Quem votou nele deveria se confessar, pedir perdão a Deus pelo pecado que cometer, porque elegeu bandido para a Presidência”, completou.

Em nota divulgada ontem, Tagliaferro disse que “sabia das consequências” da sua fala, embora não pudesse imaginar que o teor dela pudesse sair dos limites de sua cidade. O sacerdote afirmou que “mais que uma crítica política”, fez “uma provocação teológica”, pois “quem comunga o Evangelho não pode se associar ao reino da morte”. “Seria bom ainda se perguntar por que um vídeo dizendo essas coisas se espalhou como fogo no capim seco? Há tantas pessoas que dizem isso na internet, não sou o primeiro. O que mudou? Talvez não seja somente eu a estar cansado e angustiado com tudo o que está acontecendo e esta voz acabou representando tantas vozes entaladas na garganta de muita gente”, disse o padre.

Durante a missa desse domingo (5) o padre afirmou que “não é apenas ele” que não gosta do presidente “Por fim, pegando um gancho com a liturgia de hoje, eu queria deixar claro que não sou eu que não gosto do Bolsonaro. O mundo não gosta dele. O mundo está preocupado e debochando do Brasil, por causa do nosso presidente. Então não se preocupem com o padre Edson”, disse.

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