Governo negocia compra de 350 milhões de doses da Coronavac e outras vacinas

Em cerimônia no Palácio do Planalto, o Ministério da Saúde entregou ao presidente Jair Bolsonaro uma versão atualizada do plano de vacinação contra a covid-19. Com 110 páginas, o texto prevê a oferta de 104 milhões de doses a grupos prioritários, mas não cita qual imunizante será utilizado. De acordo com o governo, estão sendo compradas 350 milhões de doses, o que seria suficiente para imunizar 175 milhões de pessoas. O plano, no entanto, não prevê uma data para o início da votação.

Veja o plano:

Durante a apresentação, o ministro Eduardo Pazuello e Bolsonaro anunciaram a edição de uma medida provisória destinando R$ 20 bilhões para a co mpra da vacina escolhida pela Anvisa, mas a data de sua publicação também não foi revelada. O governo incluiu a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, do governo paulista, em parceria com uma farmacêutica chinesa, entre os possíveis imunizantes a serem adquiridos, assim como a vacina da Pfizer e da Moderna.

Segundo o Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Arnaldo Medeiros, o governo já tem os memorandos de entendimento para aquisição de outros laboratórios além da AstraZeneca, que produz a vacina em parceira com a Universidade de Oxford. Durante sua exposição, Bolsonaro mudou o tom de seu discurso, elogiou a atuação dos governadores e pregou união entre todos eles e o governo federal. O presidente vem travando batalha política com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por causa do protagonismo do governo paulista na produção da Coronavac.

Eduardo Pazuello afirmou que o Brasil possui "300 milhões de doses"– mas o próprio documento indica 108 milhões destas doses, a serem fornecidas pelas farmacêuticas Pfizer/BioNTech e Janssen– estão "em negociação". O planejamento do Ministério da Saúde prevê 100 milhões de doses importadas da Astrazeneca até julho de 2021, além de 8,5 milhões de doses da Pfizer e 3 milhões da Janssen.

O governo confirmou a compra de 210 milhões de doses da AstraZeneca, produzidas pela Fiocruz, e 42,5 milhões pelo consórcio Covax Facility. Os laboratórios que integram o consórcio ainda não estipularam o cronograma de entrega.

Em sua fala, Pazuello minimizou preocupações com a questão logística da entrega da vacina, e apontou que a campanha terá caráter nacional, onde todos os estados terão tratamento semelhante. "Não haverá nenhuma diferença. Todas as vacinas produzidas no Brasil, ou pelo Butantan ou pela Fiocruz ou qualquer indústria, terão prioridade pelo SUS", disse. "Isso está muito bem tratado e acompanhado."

"Somos os maiores fabricantes de vacina na América Latina", ponderou Pazuello, que questionou: "Para que essa ansiedade, essa angústia?", referindo-se à demora no cronograma da vacina. Até o momento, 182,7 mil pessoas já morreram por conta da pandemia, e cerca de 7 milhões já foram diagnosticados com a doença.

Já Bolsonaro adotou um tom conciliador em relação com governadores de estado presentes ao evento. "Se algum de nós extrapolou ou até exagerou, foi no afã de buscar solução", disse o presidente, que ainda  disse que os R$ 20 bilhões da Medida Provisória prometida servirá para "comprarmos vacina daquela empresa que se encaixar nos critérios de segurança e efetividade da nossa Anvisa."

O lançamento do plano atualizado ocorreu quatro dias após uma primeira versão do documento ser tornado público por uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até o momento, as análises de epidemiologistas indicam que a pasta não fornece grandes detalhes, o indica como fará a campanha de vacinação – das 94 páginas do documento originalmente proposto, apenas 38 continham explicações da pasta, sendo o resto composto de introdução, referências bibliográficas e anexos. no novo documento, das 110 páginas, apenas 52 são de conteúdo.

O governo federal corre contra o tempo para viabilizar a operação: hoje, o Ministério da Saúde abriu edital para a compra de 330 milhões de seringas, que devem custar cerca de R$ 62 milhões.


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