Secretário diz fazer “ponte” entre partido e bancada

Manoel Dias afirma que trabalha na organização de seminários com o objetivo de resgatar ideais do PDT e definir posições programáticas

O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, diz que está lotado na liderança do partido na Câmara para fazer uma espécie de “ponte” entre a legenda e a bancada. Ele conta que tem trabalhado na organização de seminários e debates que têm como objetivo “resgatar a memória ideológica” do PDT e afinar o discurso partidário entre os parlamentares.

“A vida do parlamentar é atribuladíssima. Geralmente, eles chegam aqui segunda à noite e na quinta estão voltando. Eles têm compromissos de defender seus estados, não têm tempo para ficar lendo e estudando. Quando um partido traz figuras exponenciais, facilita o acesso deles ao conhecimento e cria maior unidade na bancada”, explica.

Ele diz que não há qualquer prejuízo em trabalhar fora da liderança e que tem a dispensa do líder do partido para não registrar o ponto. A resolução da Câmara que trata dos cargos comissionados de natureza especial (CNE) permite que, em alguns casos, os servidores não registrem a presença diariamente, mas veda que o trabalho seja realizado fora das dependências da Casa. “Quando estou fora, isso não traz nenhum prejuízo, já que tento melhorar nossa participação dentro do Congresso Nacional”, diz Manoel. Leia abaixo o que explica Manoel Dias:

Congresso em Foco – Qual a função que o senhor exerce hoje dentro da liderança do PDT na Câmara?
Manoel Dias –
Fui designado para fazer a interlocução do partido com a bancada, com a promoção de eventos. Na segunda-feira passada, por exemplo, tivemos um debate no Rio com os 12 maiores economistas do país. Tivemos este ano na Câmara uns cinco eventos discutindo as reformas política, eleitoral e partidária e o pré-sal no sentido de melhorar conhecimento da bancada e do partido.

Qual o objetivo desses debates?
Os debates servem também para nos reafirmamos como um partido com linha ideológica. A partir de janeiro, vamos fazer todo mês debate sobre diversos temas de acordo com a pauta da Câmara e do Senado. Precisamos resgatar um pouco nossos ideais, nossa memória ideológica de um partido socialista e trabalhista. Precisamos ter quadros preparados de acordo com nossas propostas. Só assim vamos avançar. A ditadura, mais do que nos cassar, ela alienou duas ou três gerações. Hoje ninguém quer saber de política, generalizou-se que todo político é corrupto. Isso é uma estratégia histórica de setores conservadores de desmoralizar e fragilizar as instituições e, com isso, acabar com qualquer ambição de transformação.

É a primeira vez que o partido faz isso?
É a primeira vez que o partido faz isso sistematicamente. A bancada do partido no Congresso é a nossa representação política. Quem fala politicamente pelo partido são os parlamentares. Eles têm a obrigação de fazer o discurso político do partido. A vida de parlamentar é atribuladíssima. Geralmente, eles chegam aqui segunda à noite e na quinta estão voltando. Eles têm compromissos de defender seus estados, não têm tempo para ficar lendo e estudando. Quando um partido traz figuras exponenciais, facilita o acesso deles ao conhecimento e cria maior unidade na bancada.

O senhor trabalha na própria liderança?
Aqui ou viajando. Temos ido a todos os estados promover debates e ciclos. Vamos retomá-los a partir de janeiro. Não podemos contrariar nossos princípios ideológicos. Fazemos uma ponte entre o partido e a bancada. Os partidos políticos brasileiros, em geral, perderam quando abandonaram a formação de quadros. Isso levou a uma acomodação, um “aburguesamento” dos partidos que hoje se ressentem da falta de quadros ideologicamente comprometidos.

Pelas normas da Câmara, esse tipo de função deve ser exercida dentro das dependências da Câmara. O fato de o senhor passar boa parte do tempo fora da liderança não atrapalha seu trabalho?
Há cargos que pela natureza deles é dispensado o ponto, porque não é um trabalho interno. No meu caso, passo boa parte do tempo aqui. Quando estou fora, isso não traz nenhum prejuízo, já que tento melhorar nossa participação dentro do Congresso Nacional.

O senhor não vê conflito entre as duas funções?
Elas se completam, porque quando temos seminários sobre grandes temas estamos fazendo também o partido político. Há um campo enorme, um vazio a ser preenchido, especialmente pela esquerda. O PT foi o que fez mais certo, formou quadros. Não conheço outro partido que chegou ao poder tão rapidamente. A classe média votou no Lula na expectativa de ele colocar a ética na política. Mas eles tiveram percalços. Se não tivermos a competência de mostrar para eles que podemos ser essa ferramenta, essa gente não vem. Eles querem um movimento que responda. As palestras que fazemos não são apenas para os deputados, são também para os militantes.

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