Parlamentares candidatos tiveram desempenho fraco

Apenas um de cada cinco deputados ou senadores que resolveram disputar as eleições municipais conseguiu se eleger em primeiro turno. Dos 92 que se candidataram, 54 já estão derrotados

Quando resolvem concorrer a uma eleição municipal, deputados e senadores têm muito pouco a perder. Contam de saída com uma estrutura invejável para qualquer candidato. Têm seus gabinetes, assessores e funcionários para auxiliá-los. Além disso, já passaram por uma eleição teoricamente mais difícil, que já os tornou conhecidos e lhes garante prestígio em seus partidos. Por isso, era de se esperar que os parlamentares que resolveram concorrer ao cargo de prefeito nas eleições municipais deste ano tivessem um bom desempenho.

 

No entanto, não foi este o resultado verificado no primeiro turno, em que grande parte dos candidatos teve uma atuação muito fraca. Dos 92 parlamentares que concorreram, 54 foram derrotados. Somente 16 deputados elegeram-se em primeiro turno. Nenhum senador. Vinte e dois parlamentares candidatos – 20 deputados e dois senadores – vão para o segundo turno, um percentual de 24% do total. Apenas duas capitais – Maceió (Rui Palmeira, do PSDB) e Boa Vista (Teresa Surita, do PMDB) – terão prefeitos vindos da Câmara dos Deputados.

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Paulinho sem força

Para se ter uma idéia do baixo desempenho, 19 candidatos não conseguiram obter nem 10% dos votos válidos nos municípios em que disputaram. O deputado Paulinho da Força, candidato do PDT em São Paulo, foi o que teve o pior resultado: apenas 0,63% dos votos para a capital paulista, o equivalente a 38,7 mil votos. O desempenho do Paulinho prefeito envergonharia o Paulinho deputado. Nas eleições para deputado, ele obteve 267.203 votos.

No entanto, a performanece dos parlamentares nas eleições municipais ainda pode melhorar. Vinte deputados e dois senadores disputam o segundo turno, em 20 municípios, dos quais nove são capitais. Em uma situação hipotética em que todos seriam eleitos em 28 de outubro, data de realização do segundo turno, o índice de desempenho dos parlamentares pode chegar a 41,3%, o que seria a melhor performance dos últimos 10 anos. Mas é improvável que isso venha acontecer.

No total, 90 deputados se candidataram, mas três renunciaram à disputa no decorrer das campanhas. João Paulo Cunha (PT) desistiu da candidatura a prefeitura de Osasco, em São Paulo, depois de ter sido condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão, julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Durante um debate, na última semana de campanha, o deputado Almeida Lima (PPS) anunciou que estava desistindo de concorrer à prefeitura de Aracaju, em Sergipe. O outro deputado a desistir do pleito foi Zé Vieira (PR) que concorria à prefeitura de Bacabal, no Maranhão.

Entre os deputados, seis concorreram ao cargo de vice-prefeito. O único candidato a vice que segue na disputa é o deputado Marllos Sampaio (PMDB), que compõe a chapa do atual prefeito de Teresina (PI), Elmano Férrer (PTB).

Nenhum no Senado

Do Senado, saíram cinco candidatos a prefeito. Nenhum conseguiu garantir a vaga neste primeiro turno. Dois seguirão na disputa no segundo turno. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) enfrentará o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB) em Manaus, Amazonas. E o senador Cícero Lucena (PSDB) também continua na corrida eleitoral para conquistar a prefeitura de João Pessoa, Paraíba, onde concorre com Luciano Cartaxo (PT). Vanessa Grazziotin obteve 19,95% dos votos e Arthur Virgílio computou 40,55% dos votos válidos no primeiro turno. Cícero Lucena recebeu 20,27% dos votos contra 38,32% dados a Luciano Cartaxo.

Os outros três senadores que encararam a disputa foram amplamente derrotados, com baixo índice de votação. O senador Humberto Costa (PT), que começou liderando as pesquisas de intenção de voto, obteve apenas 17,43% da votação em Recife, Pernambuco, encerrando o pleito em terceiro lugar. O petista Wellington Dias conseguiu apenas 14,18% para a prefeitura de Teresina, no Piauí, ficando também em terceiro lugar. Já Inácio Arruda (PCdoB) teve o pior desempenho, obtendo pífios 1,82% dos votos válidos em Fortaleza, no Ceará, o equivalente a 22,8 mil votos de um eleitorado de 1,6 milhão de pessoas.

Dois deputados disputam o mesmo segundo turno

Dos eleitos, 2 deputados assumem capitais. A deputada Teresa Surita (PMDB) trocará o gabinete da Câmara dos Deputados pelo da prefeitura de Boa Vista, Roraima. Ela foi eleita com 39,26% dos votos válidos. Como a cidade tem menos de 200 mil eleitores, não há segundo turno. Em Maceió, Alagoas, assume o cargo de prefeito o deputado Rui Palmeira (PSDB), que obteve 57,41% dos votos válidos.

Em duas cidades, dois deputados disputarão a prefeitura neste segundo turno. Em Salvador, na Bahia, ACM Neto (DEM) disputa o pleito com Nelson Pellegrino (PT), que está atualmente licenciado da Câmara. Em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Washington Reis (PMDB) e Alexandre Cardoso (PSB) se enfrentam.

Manaus foi a cidade que mais teve parlamentares na disputa pela prefeitura. O deputado Pauderney Avelino (DEM), concorreu com os colegas Sabino Castelo Branco (PTB) e Henrique Oliveira (PR). No entanto, o segundo turno será dipsutado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) e pelo ex-senador Arthur Virgílio (PSDB).

Neste primeiro turno, o PMDB, o PSB e o PSDB foram os partidos que mais elegeram deputados: três cada um. Em segundo lugar aparece o PT, com dois prefeitos. PTB, PP, DEM, PV e PRB conseguiram eleger um parlamentar cada. No total, 17 partidos indicaram algum parlamentar para concorrer nas eleições municipais. O PMDB e PSDB concorreram com 13 deputados cada um, já o PT e o PSB indicaram 12.

Melhor que em 2008

Apesar do baixo índice de eleitos, o desempenho dos parlamentares neste primeiro turno foi um pouco melhor do que no pleito de 2008, quando apenas 13 deputados foram eleitos no primeiro turno, e 14 disputaram o segundo turno, dos quais apenas cinco foram vencedores. Nenhum senador conseguiu ser bem-sucedido em 2008. No total, 95 parlamentares concorreram as prefeituras naquele ano e nenhuma capital foi conquistada.

Em 2004, o índice de sucesso dos congressistas foi de 22%, quando 20 dos 91 parlamentares candidatos conseguiram se eleger, mas assim como no pleito anterior, nenhum conquistou qualquer capital. Foram 18 deputados e dois senadores eleitos.

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