Parlamentares candidatos arrecadam R$ 14,5 milhões

Dos 86 deputados e senadores que estão na disputa municipal, 70 apresentaram números parciais ao TSE das doações que receberam. Campeão é o deputado Edson Girotto

Os deputados e senadores candidatos a prefeito nas eleições de outubro já arrecadaram R$ 14,5 milhões em 42 dias de campanha municipal. De acordo com prestação de contas inicial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada, dos 86 parlamentares que estão na disputa, 70 divulgaram as doações e gastos no pleito. Os 16 restantes informaram à corte eleitoral estarem com as contas zeradas até o momento.

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Em 20 de julho, o Congresso em Foco mostrou quem são os 86 parlamentares que disputam a chefia do Executivo municipal em diversas cidades brasileiras. São cinco senadores e 81 deputados de boa parte dos partidos com representação no Congresso Nacional. Só não há candidatos congressistas concorrendo em Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC) e Palmas (TO).

E são justamente nas capitais que estão concentradas as maiores arrecadações entre os parlamentares. Até o momento, quem conseguiu a maior quantidade de doações é o deputado Edson Giroto, candidato pelo PMDB à prefeitura de Campo Grande (MS). Segundo dados informados à Justiça Eleitoral, ele já conseguiu R$ 1.835.500.

Veja a lista com a arrecadação de cada candidato

O valor arrecadado pelo peemedebista é quase o dobro do segundo colocado. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que disputa a eleição em Osasco, conseguiu até agora R$ 948.690. Um dos 37 réus da Ação Penal 470, do mensalão do PT, no Supremo Tribunal Federal (STF), corre o risco de viver uma situação inusitada: ser eleito e condenado ao mesmo tempo.

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Nordeste

Os números apresentados ao TSE pelos candidatos mostram uma maior arrecadação por candidatos no Nordeste do país. Três deles estão em Pernambuco, um na Paraíba e dois na Bahia. Em Recife, por exemplo, largaram na frente o senador Humberto Costa (PT-PE) e o deputado Mendonça Filho (DEM-PE). Ambos declararam doações parciais de R$ 600 mil.

Em Petrolina (PE), está outro candidato entre as dez maiores arrecadações. O deputado Fernando Coelho Filho (PSB-PE), filho do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, já conseguiu R$ 519.653,73. É a sétima maior entre os parlamentares. O município, com aproximadamente 299 mil habitantes, tem a segunda maior população do estado.

Além de João Paulo, outro candidato entre as dez maiores arrecadações que não disputa a prefeitura de uma capital é Jonas Donizete (PSB-SP). De acordo com a declaração ao TSE, o socialista, na disputa pelo comando de Campinas (SP), já conseguiu R$ 571.850. O valor colocou Donizete no sexto maior valor entre os parlamentares inscritos na disputa eleitoral.

Outra capital nordestina tem duas das maiores arrecadações: Salvador, com a disputa entre os deputados ACM Neto (DEM) e Nelson Pellegrino (PT). Enquanto o demista já conseguiu R$ 890 mil, o petista, que conta com o apoio do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), viu entrarem nas suas contas R$ 500 mil. Completa a lista de políticos nordestinos o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), na corrida pela prefeitura de João Pessoa: R$ 411.288.

A lista das dez maiores arrecadações é completada com a deputada Manuela D`ávila (PCdo-B). Até agora, a comunista, que tenta pela segunda vez se eleger prefeita de Porto Alegre, conseguiu R$ 450 mil. E, de acordo com sua prestação de contas, ainda não teve gastos.

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Fundo partidário

A resolução número 23.376/12, do TSE, estabelece que os candidatos e comitês financeiros de partido são obrigados a abrir conta bancária exclusiva para a movimentação financeira de campanha. Ela deve ser aberta nas instituições financeiras que possuem carteira comercial reconhecida pelo Banco Central do Brasil, sendo vedado o uso de conta bancária preexistente.

Além disso, a legislação eleitoral estabelece que os candidatos informem seus doares e seus gastos durante o pleito. Antes da divulgação final das contas, que serão julgadas pela Justiça Eleitoral, o TSE determina que duas parciais sejam informadas. Nelas, devem constar os valores, quem doou e  no que foi gasto. A expectativa é que, com a proximidade da eleição, a segunda parcial tenha um volume maior de recursos.

Uma análise nas contas das dez maiores arrecadações mostra que boa parte dos candidatos têm doações vindas de outras formas que não a de pessoas físicas e jurídicas. Edson Giroto, por exemplo, declarou ter recebido R$ 1.520.000 do comitê de campanha. Já João Paulo Cunha informou que R$ 875 mil foram repassados pelo PT.

A totalidade do dinheiro obtido por Manuela D`Ávila tem origem partidária. Uma parte veio do partido – R$ 250 mil – e o restante do Fundo Partidário, dinheiro público que é dividido entre todas as agremiações políticas brasileiras. A situação é repetida por Jonas Donizete, que conseguiu R$ 500 mil vindos do fundo, e por Mendonça Filho, com a totalidade de sua arrecadação bancada pelo DEM.

É o mesmo caso do seu colega de partido ACM Neto. Dos R$ 850 mil conseguidos até agora, R$ 600 mil vieram do Fundo Partidário e R$ 250 mil do DEM. Os R$ 40 mil restantes foram conseguidos por doações de pessoas físicas.

Esse não é o caso de todos. Os petistas Humberto Costa e Nelson Pellegrino não tiveram dinheiro do partido até o momento nas suas campanhas. O senador pernambucano conseguiu R$ 500 mil de empresas e R$ 100 mil de militantes. Já o deputado da Bahia arrecadou todos os R$ 500 mil declarados com pessoas jurídicas.

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