Chinaglia, Vaccarezza e a disputa interna no PT

Novo líder do governo na Câmara é de um grupo que concorre com o grupo do líder derrubado pelo comando do partido no Legislativo

Desde o fim de 2010, a bancada do PT tem passado por uma disputa de cargos que a dividiu em dois grandes grupos. De um lado, parlamentares ligados ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) e ao novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). De outro, a turma do líder destituído, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Até agora, o grupo do atual e do ex-presidente da Casa tem levado a melhor. Possuem os principais cargos: a presidência da Câmara, a liderança do PT (com Jilmar Tatto), a liderança do governo e o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com Ricardo Berzoini (PT-SP).

Até a indicação de Chinaglia, havia a expectativa de que, com a troca de Vaccarezza, a presidenta resolvesse compensar o grupo do ex-líder. No entanto, para um petista com forte ligação ao Palácio do Planalto, não é assim que Dilma pensa. “Se fosse o ex-presidente Lula, haveria essa preocupação de equilibrar os interesses das várias correntes do partido”, disse. Para o parlamentar, Dilma, nesse ponto, é mais objetiva e pragmática. Ela tinha um problema para resolver. E entendeu que o melhor nome para resolvê-lo era Chinaglia, independentemente de qual corrente petista ele representa.

Com a nomeação de Chinaglia, também devem mudar os vice-líderes do governo. Atualmente são oito. Dois deles do PT e outros dois do PP. As quatro vagas restantes estão divididas entre PMDB, PR, PSC e PTB. “Vamos estudar a proporcionalidade e as indicações. Aí veremos se vamos mudar os vice-líderes ou não”, disse Chinaglia ontem, ao ser questionado pelo Congresso em Foco sobre a possibilidade de mudanças.

Mau relacionamento

A tese de que Vaccarezza foi sacrificado para justificar a saída de Jucá não é a única. Entre pessoas próximas do ex-líder, corre a versão de que ele pagou também por conseguir fazer as votações andarem na Câmara. Isso teria gerado ciúmes na ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que, ex-senadora, não via as coisas andarem da mesma forma no Senado. “Tenho uma boa relação com a Ideli, sempre tivemos”, despistou Vaccarezza.

Também comenta-se nos bastidores que a votação do projeto que muda o sistema de aposentadoria do serviço público influenciou na saída. O governo esperava uma votação mais folgada na proposta que cria a Fundação de Previdência do Servidor Público (Funpresp) do que os 318 a 124. O PDT e o PSB foram os partidos governistas menos fiéis à orientação do Palácio do Planalto. Mas nem o PT da presidenta Dilma Rousseff foi totalmente fiel: dos 77 petistas presentes, oito votaram contra a proposta do governo e a orientação do partido.

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