“Quando nasci, foi uma decepção”, diz deputada

Natural de Recife, Aline Corrêa afirma que teria dificuldade em fazer política em sua terra natal por causa do preconceito de gênero. Ela é filha do ex-deputado pernambucano Pedro Corrêa

Descendente de clãs tradicionais na política de Pernambuco, Aline Corrêa (PP-SP) trocou Recife por São Paulo aos 20 anos para estudar. Na nova terra, constituiu família e enveredou pela política. No seu sexto ano na Câmara, Aline, de 38 anos, diz não se imaginar atuando pelo estado natal. Para ela, ainda é mais difícil para uma mulher fazer política no Nordeste. “Quando nasci, foi uma decepção para o meu pai, que só queria filho homem para atuar na política. Sou a primeira mulher da família a ocupar um espaço de decisão”, explica Aline.

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Dos 80 parlamentares que representaram São Paulo ano passado no Congresso, 21 nasceram em outros estados, a exemplo de Aline. A bancada é formada por gente de 11 estados, uma pluralidade que, em números absolutos, só é comparável à do Rio de Janeiro, composta por 16 “forasteiros” provenientes de outras dez unidades federativas e do Chile.

A deputada acredita ter um diferencial em relação aos colegas paulistas por conta de sua origem familiar. Um jeito pernambucano de fazer política. “O parlamentar em São Paulo é muito focado na sua região. Como em Pernambuco todo o estado precisa de ajuda, o parlamentar expande mais sua atuação. Acabei trazendo um pouco disso”, explica.

Para Aline, o estado mais rico do país também sabe oferecer espaço político para quem vem de fora. “Como diz um político daqui, é o único lugar em que japonês fala português com sotaque italiano. Hoje me considero uma paulista de coração”, afirma a deputada, que mora em Campinas (SP).

Matemática

A parlamentar admite que deve sua primeira eleição aos quase 1,3 milhão de votos obtidos em 2006 por dois companheiros de partido na época: o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e o  ex-deputado Celso Russomanno (hoje no PRB) . Com apenas 11 mil votos, ela conquistou a cadeira naquele ano graças às sobras dos colegas.

Em 2010, porém, Aline multiplicou por sete sua votação. Renovou o mandato após receber quase 80 mil votos. “Estava na hora certa, no local certo, com a matemática a meu favor. A continuidade dependia de competência, trabalho e dedicação. O resultado veio por meio dos votos obtidos.”

Aline é filha do ex-deputado pernambucano Pedro Corrêa (PP), um dos três cassados na crise do mensalão. A deputada não é a única voz da família no Congresso atualmente. Ela é cunhada do deputado Roberto Teixeira (PP-PE), que, diferentemente dela, representa o estado natal.

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