Votação de Dilma é marcada por tumulto em Porto Alegre

Ex-presidente foi recebida por manifestantes contrários ao impeachment e não pôde ter o voto registrado pela imprensa em função de uma determinação judicial. Brigada Militar foi acionada e houve confusão na porta do colégio Santos Dumont

A ex-presidente Dilma Rousseff chegou para votar no colégio Santos Dumont, em Porto Alegre, por volta das 13h30 deste domingo (2). Aproximadamente 100 manifestantes contrários ao governo de Michel Temer se aglomeravam na entrada do local e entregaram flores à Dilma. Em seguida houve tumulto em função da proibição de que profissionais da imprensa acompanhassem o voto da petista.

Dilma chegou com candidato petista à prefeitura da capital gaúcha, Raul Pont, e com ex-ministro do Trabalho, Miguel Rossetto. Os dois tiveram o acesso negado, e Pont só conseguiu entrar no local de votação após negociação com agente da Polícia Militar que atuavam na área. O candidato estava com uma mancha de sangue na camisa branca, mas disse ter sido apenas empurrado no meio da confusão, e não foi ferido.

O tumulto foi causado pela ação da Brigada Militar junto à imprensa e à multidão de manifestantes que se aglomeravam no local. A candidata a vice na chapa de Raul Pont, Silvana Conti, também foi impedida de entrar e disse ter sido agredida por um PM com um chute no joelho. Uma porta de vidro que dá acesso à escola foi quebrada.

A proibição foi uma determinação do juiz eleitoral Niwton Carpes da Silva, da 160ª zona eleitoral, que afirmou que Dilma é uma cidadão comum e, portanto, não pode ter o voto registrado. "Registrar voto na urna é errado. Se outros ex-presidentes têm seus votos gravados, um erro não gera um precedente", argumentou o juiz. Para ele, a imprensa teve um "comportamento de manada", o que provocou a ação da Brigada Militar.

A ex-presidente lamentou o episódio. "Acho um absurdo. Acho antidemocrático e indigno de uma democracia como a brasileira. Acho um absurdo impedir a imprensa de chegar aqui", disse Dilma. "Eu sempre votei aqui, nunca houve isso. Nunca a Brigada foi chamada, nunca fecharam as portas. É lamentável". Questionada sobre o fato da medida ser baseada no argumento de que ela seria uma cidadã comum, Dilma respondeu: "Se sou uma cidadã comum, tenho muito orgulho. Há que se ter orgulho de ser cidadã ou cidadão neste país".

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