Vice-governador pede desculpas por “cagar e andar” para investigação

João Leão atribuiu o uso da expressão à sua “profunda indignação”, “tristeza” e “surpresa” com a inclusão de seu nome na relação dos políticos suspeitos de participarem do esquema de corrupção na Petrobras

Reprodução
O vice-governador da Bahia, João Leão (PP), recorreu ao Facebook neste domingo (8) para se desculpar pelos termos utilizados ao ser informado por jornalistas de que estava na lista dos políticos que serão investigados pela Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). "Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa", disse Leão à Folha de S.Paulo na noite de sexta-feira (6).

O ex-deputado atribuiu o uso da expressão à sua “profunda indignação”, “tristeza” e “surpresa” com a inclusão de seu nome na relação dos políticos suspeitos de participarem do esquema de corrupção na Petrobras. "Foram considerações feitas num momento de profunda indignação e surpresa. Fiquei muito triste porque, ao longo de 28 anos de vida política, jamais passei por tamanha crueldade. Peço desculpas à sociedade", retratou-se o vice-governador, que é o atual secretário de Planejamento da Bahia.

João Leão disse que não teve a intenção de ofender o Ministério Público, nem o Judiciário ou “quaisquer outras instituições” ou pessoas. O ex-deputado afirmou, ainda, que exercerá seu amplo direito de defesa e provará sua inocência. "Peço a Deus serenidade. Confio na democracia brasileira, e com o apoio da minha família e dos meus amigos contribuirei para que a verdade surja", declarou.

Um dos 35 políticos incluídos no principal inquérito da Lava Jato no Supremo, Leão será investigado por formação de quadrilha e corrupção. Na resposta à Folha, ele disse que não sabia porque seria alvo de apurações porque “nem conhecia esse povo”.

Veja a nota publicada no domingo pelo vice-governador em seu perfil no Facebook:

"Surpreso e indignado, peço desculpas à sociedade, diz João Leão

Gostaria de dar a exata dimensão das minhas palavras, amplamente divulgadas pela imprensa, em reação à inclusão do meu nome na lista dos políticos que podem ser investigados pela Justiça na chamada Operação Lava Jato.

Foram considerações feitas num momento de profunda indignação e surpresa. Fiquei muito triste porque ao longo de 28 anos de vida política jamais passei por tamanha crueldade.
Peço desculpas à sociedade.

Repito: as palavras foram proferidas em um momento de surpresa e indignação por ver-me equivocadamente envolvido.

Não há, da minha parte, nenhuma intenção de ofender o Ministério Público, o Poder Judiciário, ou quaisquer outras instituições essenciais na manutenção do estado democrático de direito, nem pessoas.

Exercerei meu amplo direito de defesa e provarei a minha inocência.

Peço a Deus serenidade. Confio na democracia brasileira, e com o apoio da minha família e dos meus amigos contribuirei para que a verdade surja".

 

Veja a nota de João Leão publicada na edição de sábado (7) da Folha de S.Paulo:

“Estou tão surpreso quanto tantos outros,não sei porque meu nome saiu. Nem conhecia esse povo. Acredito que pode ter sido por ter recebido recursos em 2010 das empresas que estão envolvidas na operação. Mas, botar meu nome numa zorra dessas? Não entendo. O que pode ser feito é esperar ser citado e me defender. Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa. Segunda-feira vou para Brasília saber porque estou envolvido [...] Recebi recursos da OAS [em 2010] mas quem recebeu recursos legais, na conta legal, tem culpa?”.

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