Veja quanto custou aos cofres jardineiro de Collor

Em três meses, os três funcionários particulares do ex-presidente custaram ao Senado R$ 67 mil. Se fosse pagar do próprio bolso, senador gastaria praticamente todo o salário líquido que recebe

Reprodução site revista Época
Em três meses, os cofres públicos bancaram R$ 67 mil em salários ao jardineiro do ex-presidente Fernando Collor e a duas arquivistas que recebem do Senado, segundo a revista Época, para cuidar da biblioteca particular do senador. Entre abril e junho do ano passado, os gastos com salários e contribuições patronais à Previdência Social somaram R$ 19.887 por mês. É o que mostram registros do Senado obtidos com exclusividade pelo Congresso em Foco.

Se o senador Fernando Collor fosse bancar a despesa mensal com os três funcionários do próprio bolso, gastaria praticamente todo o salário líquido que recebe. O rendimento bruto de um parlamentar é de R$ 26.723 por mês.

Só o jardineiro Acemilton Gonçalves Silva, flagrado pela revista de macacão na Casa da Dinda, recebeu R$ 9.164,45 em três meses do ano passado. Com mais R$ 1.285 de contribuições à Previdência Social, o custo do funcionário pago pelo Senado foi de mais de R$ 10 mil. Foto publicada por Época mostra Acemilton se escondendo logo após chegar na residência da família Collor. As duas arquivistas, informou a publicação, trabalhavam no Centro de Memória do Presidente Fernando Collor, um acervo privado em frente à Casa da Dinda e que não está aberto ao público.

O CONTRACHEQUE DO JARDINEIRO

MÊS: MAIO DE 2011
Descrição Valor
Vencimento básico 731,40
Gratificação de representação do cargo em comissão 871,90
Gratificação de desempenho 438,84
Tíquete-alimentação 638,00
INSS - 224,63
Imposto de renda - 18,81
Contribuição patronal ao INSS - 428,85
Salário bruto R$ 2.680,14
Descontos R$ 243,44
Salário líquido R$ 2.436,70
Contribuição patronal ao INSS R$ 428,85
Custo total R$ 3.108,99

Veja aqui mais contracheques do jardineiro e das arquivistas de Collor

Em dezoito meses, R$ 56 mil

Acemilton entrou na folha de pagamento do Senado em fevereiro de 2007, conforme registros de pessoal publicados no portal da Transparência da Casa. Em janeiro de 2010, ganhava R$ 1.800 brutos. Em julho daquele ano, eram R$ 2.500. Em dezembro, mês de 13º salário, recebeu R$ 5.800. Em maio passado, foram R$ 2.680, sendo R$ 2.400 líquidos, conforme contracheque detalhado (veja acima).

Em um ano e meio, de janeiro de 2010 a junho de 2011, o Senado gastou R$ 56 mil com os salários e contribuições previdenciárias do jardineiro Acemilton.

De acordo com os registros do Senado obtidos pelo Congresso em Foco, o jardineiro e as duas arquivistas devem cumprir jornada de 40 horas semanais. Mas os três estão dispensados de bater o ponto.

A reportagem tentou contato com Collor, seus assessores e os três funcionários no sábado (13), mas não conseguiu localizá-los, nem mesmo por meio de ex-auxiliares ou da Secretaria de Comunicação Social do Senado. O gabinete não retornou mensagem eletrônica enviada pelo site.

Atividades particulares proibidas

A assessoria de imprensa do Senado afirmou ao Congresso em Foco que os funcionários estão nomeados nos boletins de pessoal da Casa e que são os senadores que definem as atividades de seus servidores. Disse, no entanto, que os parlamentares não podem empregar os funcionários em atividades particulares.

A assessoria não endossou nem negou a existência de irregularidade na situação do jardineiro e das duas arquivistas. Isso porque nenhum esclarecimento adicional poderia ser prestado até segunda-feira (15).

À revista Época, o chefe de gabinete de Collor, Joberto de Sant’Anna, disse que Acemilton não é jardineiro. “Desempenham, os três servidores (Acemilton, Carmem e Sandra), como assistentes parlamentares, as atividades de apoio que lhes são determinadas”, afirmou em nota por escrito.

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