Vazamento de operação prejudicou investigações do MPF

Em depoimento à CPI do Cachoeira, procuradores dizem que investigações sobre espinha dorsal e parte financeira da quadrilha não puderam ser aprofundadas porque grupo descobriu que estava sendo vigiado

Os dois procuradores da República que conduziram as investigações das operações Vegas e Monte Carlo, que têm como o alvo o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, disseram à CPI do Cachoeira que as apurações foram prejudicadas porque a quadrilha descobriu que tinha seus passos seguidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

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A procuradora da República Lea Batista de Oliveira ressaltou que, no início do ano, escutas telefônicas revelaram que integrantes do grupo haviam descoberto que estavam sendo investigados. Eles descobriram, inclusive, o nome da operação da PF e a Vara Federal responsável pelas investigações. A descoberta antecipou a deflagração da Operação Monte Carlo.

Os vazamentos impediram que a espinha dorsal do grupo e a parte financeira fossem exploradas porque a PF teve de deflagrar a operação antes do prazo determinado.

“Por conta desses vazamentos, não conseguimos desenvolver qualquer trabalho de investigação nessa área [sobre a movimentação financeira do grupo e a relação com empresas laranjas e a Delta]”, afirmou Daniel Rezende, responsável pela Operação Vegas.

O procurador da República disse que há material bruto sobre essa relação do esquema que ainda precisa ser submetido a análise. Sobre o crime de lavagem de dinheiro, Lea afirmou que o MPF aguarda, desde fevereiro, resposta dos bancos.

Esta é a segunda vez que Daniel Rezende e Lea Batista de Oliveira são chamados para depor à CPI. Em maio, os dois foram convocados mas não compareceram porque, se falassem ao colegiado antes de uma audiência na Justiça que estava marcada para julho, poderiam ser impedidos de continuar atuando no caso.

Quebra de sigilo

No início da sessão, os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP) pediram ao presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que convoque uma sessão administrativa ainda esta semana para votar requerimentos de quebra de sigilo fiscal e bancário de 12 empresas que a assessoria parlamentar do tucano identificou como laranjas que atuavam no esquema. “Nossa assessoria técnica identificou que já há repasse de mais de R$ 413 milhões da Delta para essas empresas, que são recursos públicos que tem origem em contratos com o governo federal”, disse.

Amanhã, a CPI deverá ouvir o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, e o ex-corregedor da Polícia Civil de Goiás Aredes Correia Pires. No entanto, Rincón conseguiu no Supremo Tribunal Federal habeas corpus para permanecer em silêncio. Pires também fez o mesmo pedido, mas ainda não obteve resposta. Rincón, que foi tesoureiro da campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em 2010, foi dispensado ainda de assinar o termo de compromisso legal de testemunha.

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