Vassouras são barradas no Congresso

Manifestantes entregaram vassouras a alguns parlamentares do lado de fora do Congresso Nacional. Os que as receberam garantiram ajuda para "varrer" as práticas de corrupção

A intenção de entregar uma vassoura para cada deputado e senador foi frustrada hoje. Os manifestantes da ONG Rio de Paz e do Movimento de Combate à Corrupção, que fincaram ontem 594 vassouras no gramado em frente ao Congresso, foram impedidos de entrar no parlamento. No entanto, eles não desistiram de realizar o ato e convocaram os parlamentares a saírem do prédio e pegarem a sua vassoura.

Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) e os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Vieira da Cunha (PDT-RS) foram os primeiros a atender aos pedidos. Os quatro parlamentares foram até o local em que as vassouras estavam fincadas e cada um escolheu a sua. Em seguida, desceram até o pé da rampa do Congresso Nacional. “Para realizar uma mudança, nós precisamos ter objetivos e bandeiras, e aqui já estamos levantando estas bandeiras. Se todo mundo varrer junto, conseguiremos fazer uma limpeza de verdade”, discursou Chico Alencar.

Randolfe Rodrigues relembrou a má fama que a vassoura teve no passado, quando Jânio Quadros a transformou em símbolo de sua campanha. “Não é porque no passado utilizaram mal que não podemos utilizar agora. A vassoura é sim um símbolo de limpeza e vamos levá-la para dentro do Congresso”, disse acrescentando que a luta em que a sociedade se engaja agora é civilizatória e legítima para criar um estado de direito.

Meia hora depois que o ato teve início, deputados da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção se uniram aos demais para apoiar o movimento. Hoje, a frente distribuiu aos demais congressistas um levantamento com mais de 160 projetos de lei que visam o combate à corrupção que estão há anos tramitando na Câmara dos Deputados e no Senado.

O deputado Francisco Praciano (PT-AM), líder da frente parlamentar, afirmou que em hipótese alguma o ato agride o Congresso Nacional e defendeu as eleições como uma forma legítima de controle popular. “As pessoas têm a chance de realizar as ‘cassações’ a cada dois anos, muito mais rápido do que os trâmites nas instituições oficiais, por meio de seus votos”.

Para o presidente da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, o ato serviu para mostrar aos parlamentares que o cidadão brasileiro não está satisfeito com a atuação de seus representantes. “A voz do povo precisa ecoar lá dentro”, afirmou. Ele destacou também a intenção pacífica do movimento, que respeitou a proibição das duas Casas e não tentou invadir o espaço. “Hoje, nós temos visto que estão em curso revoluções em que as pessoas estão usando armas ao redor do mundo, mas aqui nós entendemos que não precisamos disso. Estamos em plena democracia. Sendo criativos e usando armas legais, nós temos certeza de que seremos ouvidos”, disse.

Como as vassouras não foram entregues, os organizadores voltaram para casa com elas nas costas. A intenção é guardá-las para o próximo dia 12 de outubro, data em que nova manifestação acontecerá na Esplanada dos Ministérios nos moldes da ocorrida no dia 7 de setembro que reuniu cerca de 25 mil pessoas.

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