Após vitória surpreendente, Trump faz discurso conciliador: “É hora de renovar o sonho americano”

Candidato republicano contraria pesquisas, derrota Hillary Clinton e vai ocupar a Casa Branca a partir de 20 de janeiro. Bilionário polêmico faz discurso de conciliação após vitória, mas provoca incertezas em todo o mundo

 

 

 

Não será desta vez que a maior economia do planeta será comandada por uma mulher pela primeira vez. Contrariando as últimas pesquisas, que indicavam a vitória da democrata Hillary Clinton, o republicano Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos. Em uma votação surpreendente e acirrada, o polêmico bilionário alcançou 278 votos dos delegados do colégio eleitoral nesta madrugada, garantindo a maioria em estados decisivos como a Flórida, a Carolina do Norte, Ohio e Pensilvânia. Trump será o 45º presidente dos Estados Unidos e assumirá o cargo de Barack Obama em 20 de janeiro.

No início da manhã, o presidente eleito fez seu primeiro discurso e adotou um estilo ameno, diferente do que utilizou durante sua campanha eleitoral, quando ficou conhecido por declarações controversas. Ele contou que recebeu telefonema de Hillary, cumprimentando-o pela vitória, e elogiou a adversária, com quem trocou acusações durante toda a disputa pela Casa Branca. "A secretária Hillary me ligou e ela nos parabenizou, e eu a parabenizei pela nossa duríssima luta. Hillary lutou duramente por muito tempo. Temos uma grande dívida com ela por seu serviço", declarou. A candidata democrata ganhou em 218 colégios eleitorais. Outros 42 estão indefinidos. Mas não há mais como ela alcançar o adversário. Na votação popular, a diferença entre eles é de menos de 300 mil votos, apurados 94% dos votos. Mas isso não muda o resultado da votação.

Ainda em seu pronunciamento, Trump defendeu a reunificação do país após uma eleição marcada por forte polarização. "Para aqueles que optaram por não me apoiar, estou estendendo a mão para a sua orientação e ajuda para que possamos trabalhar juntos para unificar nosso grande país", afirmou, em apelo dirigido aos colegas do Partido Republicano que não o apoiaram. "Agora é hora de nos unirmos como um povo só. É a hora. Prometo que serei o presidente para todos os EUA. Vamos renovar o sonho americano. Nosso país tem um tremendo potencial. Nossos homens e mulheres não serão mais esquecidos", acrescentou.

De acordo com o New York Times, o republicano venceu ao consolidar apoio entre eleitores brancos, principalmente aqueles sem ensino superior. Latinos, asiáticos e negros votaram menos nesta eleição. Ele virou o resultado em estados que eram dados como certos para Hillary, como Michigan, Pensilvânia e Wisconsin.

A vitória de Trump foi recebida com preocupação pelo mercado financeiro em todo o mundo. O índice Nikkei do Japão caiu mais de 800 pontos, ou seja quase 5%. O índice da bolsa de Hong Kong perdeu 650 pontos (2,8%). O peso mexicano teve sua maior queda em oito anos, de acordo com a agência de notícias Bloomberg. As aplicações financeiras estão se transferindo para o ouro.

A campanha presidencial norte-americana foi marcada por acusações mútuas, envolvendo a vida pessoal dos candidatos. Em outubro, a divulgação de um vídeo, de 2005, mostrou o candidato do Partido Republicano usando palavras desrespeitosas para se referir às mulheres. O resultado eleitoral surpreende porque contraria as últimas pesquisas que mostraram Hillary Clinton com ligeira folga na liderança da corrida eleitoral.

A tendência de vitória do republicano ficou mais acentuada às 23h30 de ontem (8), quando o candidato foi declarado vencedor na Flórida. Só aí Trump garantiu 29 votos a seu favor no colégio eleitoral. Depois disso, quando os votos computados na Carolina do Norte e em Ohio indicavam vitória de Donald Trump, os assessores da campanha de Hillay Clinton começaram a ficar alarmados com a iminente derrota. Toda a estratégia que eles montaram para ganhar em Ohio, que fica na região Centro-Leste dos Estados Unidos, e mais os estados do Sul, fracassou. Ohio é um estado "oscilante", que sempre indica o vencedor das eleições norte-americanas.

Com informações da Agência Brasil

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