TRE do Pará sugere cassar mandato de Wladimir Costa

Parlamentar é acusado de receber dinheiro advindo de "fontes não declaradas" para a realização da eleição à Câmara, em 2014, e por omitir da Justiça Eleitoral cerca de R$ 410.800 na sua declaração de valores recebidos para a campanha

Por decisão unânime, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará determinou, na tarde desta sexta-feira (8), a cassação do mandato do deputado Wladimir Costa (SD-PA). O parlamentar é acusado de ter recebido dinheiro advindo de "fontes não declaradas" para a realização da eleição à Câmara, em 2014. De acordo com o TRE, Wladimir também omitiu da Justiça Eleitoral cerca de R$ 410.800 na sua declaração de valores recebidos para a campanha. A relatora da representação foi a juíza federal Lucyana Daibes Pereira.

Entretanto, mesmo com a deliberação do Regional, o deputado só poderá ser afastado do cargo após o veredito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso o TSE acompanhe a decisão do tribunal paraense, Wladimir será declarado inelegível por oito anos e perderá o mandato parlamentar.

Em seu seu quarto mandato na Casa legislativa, Wladimir também é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2010, por abrigar funcionários fantasma em seu gabinete. Além disso, em 2015 Wladimir foi o parlamentar mais faltoso das sessões realizadas em plenário. Das 125 sessões, o deputado faltou 105. Wladimir justificou a ausência em 93 sessões com atestados médicos alegando problemas na coluna vertebral. As demais não foram justificadas.

Relembre

Wladimir é conhecido por vários episódios marcantes. Em abril, durante a votação do impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff na Câmara, por exemplo, o parlamentar levou um bastão de confetes que foi explodido após anunciar seu voto favorável ao afastamento da petista na tribuna do plenário.

Outro momento que entrou para a história foi a participação de Wladimir Costa no Conselho de Ética durante as investigações contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ). À época, Wladimir Costa (SD-PA) era considerado um dos mais aguerridos defensores do ex-presidente da Câmara. Entretanto, no dia da votação do parecer de Marcos Rogério (DEM-RO), Wladimir superou todas as expectativas e acompanhou o relatório que sugere a cassação do mandato parlamentar de Cunha.

Ainda no colegiado, em sessão realizada no dia 7 de junho, o deputado discutiu com o petista Zé Geraldo (PA). Os conterrâneos se desentenderam e partiram para agressões verbais. As injúrias começaram quando o deputado petista resolveu contestar as críticas feitas pelo deputado do Solidariedade sobre a gestão da presidente afastada Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores.

“Esse parlamentar, no Pará, está mais sujo que pau de galinheiro, como diz o ditado popular. Ele está denunciado no Supremo Tribunal Federal por receber dinheiro de funcionários do seu gabinete e repassar para seus irmãos. Esse é o deputado Wladimir Costa que fez aquele discurso. Ele tem umas seis rádios no Pará, conseguiu no ministério das comunicações e usa essas rádios para falar mal, extorquir prefeitos do estado para receber dinheiro”, disparou Zé Geraldo.

Ao receber o direito de resposta, Wladimir reagiu: "Queria dizer que essa figura asquerosa, essa figura indigesta, marido de uma mulher que assaltou e roubou o município de Medicilândia, é um dos membros dessa quadrilha. Uma figura enojada que não merece assento nessa Câmara. Envolvido em vários escândalos. Deputado senhor Zé Geraldo, o senhor é um vagabundo, bandido".

 

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