Transferências de comandantes do PCC contribuíram para proliferação da facção pelo país

Surgida em 1993, facção tem cerca de 21,5 mil pessoas batizadas. Reportagem da Folha de S. Paulo aponta que transferências de líderes do PCC, feitas pelo governo paulista, impulsionaram crescimento de grupo criminoso em outros estados

 

Criado em 1993 no presídio de segurança máxima de Taubaté, interior paulista, o Primeiro Comando da Capital (PCC) já possui ramificações em todos os estados brasileiros, conforme aponta reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira (16). Apesar de imprecisos, os dados do Ministério Público de São Paulo, de outubro de 2014, revelam que a facção tinha cerca de 10 mil criminosos afiliados, sendo que 26% eram de outras unidades federativas. Hoje, o PCC possui cerca de 21,5 mil pessoas batizadas em todo o país, segundo estimativas.

Uma das justificativas para o crescente número de adeptos, de acordo com a reportagem, está nas constantes transferências de presos perigosos. Em 1998, o governo paulista transferiu os cabeças do PCC para o Paraná, na tentativa de desarticular o movimento. No entanto, acabou promovendo o crescimento da facção. Na época, entre os presos perigosos estavam José Márcio Felício, o Geleião, e César Roris da Silva, o Cesinha - ambos incentivadores da criação do PCC no Paraná.

Hoje, cerca de 3,5% da população carcerária, calculada em torno de 607 mil pessoas, atuam para a facção que tem como o principal chefe o criminoso Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola. Aos 48 anos, Marcola já passou pelos presídios do Rio Grande do Sul, do Distrito Federal, de Goiás e Minas Gerais. Durante sua passagem por Brasília, criou o Partido Liberdade e Direito (PLD), associação que chegou a carbonizar detentos inimigos em rebeliões.

Atualmente, existem 13 membros do PCC paulista em presídios federais e 16 pedidos de novas transferências. Desde o dia 1º de janeiro deste ano, até o último domingo (15), as rebeliões ocorridas no Amazonas, Roraima e agora no Rio Grande do Sul, juntas, já deixaram mais de 120 presos mortos em apenas 15 dias.

Confira a íntegra da reportagem do jornal Folha de S. Paulo

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