Temer, Renan e Maia disputam indicação de assessores para o CNJ

Câmara e Senado vão escolher seus representantes para as duas vagas abertas no Conselho Nacional de Justiça, órgão de controle do Judiciário presidido pela ministra Cármen Lúcia, do STF

Os presidentes da República, Michel Temer, da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disputam a indicação de um dos seus afilhados ou assessores para ocupar uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Quatro concorrentes já se inscreveram para a votação no Plenário da Câmara, em sessão deliberativa marcada para a próxima semana.

 

Temer e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, fazem lobby para emplacar no CNJ o advogado Felipe Cascaes Sabino Bresciani. Analista judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DFT), Felipe é subchefe adjunto para assuntos jurídicos da Casa Civil, e constantemente vai à Câmara para auxiliar líderes e bancadas governistas.

Para atender aos pedidos do Planalto, Rodrigo Maia tentou apressar a votação da indicação de Felipe pelos deputados já para esta terça-feira (25), na mesma noite em que foi aprovada, em segundo turno, a proposta de emenda à Constituição que limita gastos da União pelos próximos 20 anos, mas faltou tempo para o tema. A sessão foi encerrada depois da rejeição do último destaque, por volta das 2h30 desta quarta-feira (26), apresentado para livrar dos efeitos orçamentários  da proposta os setores da saúde e da educação.

Outro concorrente ao CNJ é Lucas de Castro Rivas. Assessor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e há anos cedido para trabalhar na Câmara, ele foi indicado pelo líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), por ser do mesmo estado. Dias depois o deputado retirou o patrocínio. Em seguida, reapresentou o nome por pressão de desembargadores do Amazonas. Lucas é íntimo do deputado cassado Eduardo Cunha e da tropa de choque que o ex-presidente da Câmara manteve ativa enquanto estava no cargo.

O presidente do Congresso, Renan Calheiros, defende a escolha da analista do Ministério Público da União (MPU), Ana Luisa Jorge Marcondes. Ela é assessora parlamentar e jurídica da Presidência do Senado, além de funcionária direta de Renan. Aos 35 anos, Ana Luisa é doutora em Direito Penal pela Universidad de Buenos Aires e já foi assessora do Conselho Nacional do Ministério Público (CNPJ).

Ainda concorrem ao mesmo posto no CNJ o servidor da Câmara José Augusto de Carvalho Torres e Alex Machado Campos, advogado pernambucano. Coordenado pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), no CNJ existem duas vagas, uma para o representante da Câmara e outra para indicado pelo Senado. A vaga destinada ao Senado será definida pelos senadores, mas Renan quer se antecipar a emplacar sua afilhada  Ana Luisa logo na vaga da Câmara.

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