Temer quer se desconectar de investigação sobre Aécio e estuda pedir mudança de relator

Presidente é investigado no mesmo inquérito que o senador afastado Aécio Neves, que também não está mais à frente do PSDB

 

Um dia após desistir do pedido de suspensão da investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB) no Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do presidente afirmou que estuda pedir a separação do inquérito de Temer da investigação contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). No inquérito aberto na Corte para investigar as denúncias delatadas por Joesley Batista, um dos donos da JBS, à Procuradoria-Geral da República (PGR), Aécio e Temer são investigados no mesmo caso. No entanto, a defesa alega que não há conexão dos fatos.

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"Eu acho que não há conexão fática e nem probatória entre a questão que envolve o Aécio e a questão que envolve o presidente", disse o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, um dos advogados de Temer. A declaração do advogado foi dada após sair de um encontro com Fachin na manhã de hoje.

Os advogados do presidente também pretendem pedir que a relatoria do inquérito saia das mãos do ministro Edson Fachin, responsável pela Operação Lava Jato no âmbito do STF. O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, um dos advogados de Temer, disse nesta terça-feira (23) que este é um outro cenário sob análise.

"A questão não é com ele [Fachin]. A questão levantada poderá querer demonstrar que não há conexão dele, Michel Temer, com essas questões de Petrobras e Lava Jato", defendeu o advogado.

As implicações

Os empresários Joesley Batista e Wesley Batista, irmãos donos da JBS e delatores da Operação Lava Jato, entregaram ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), gravação de diálogo em que o presidente Michel Temer os incentiva a pagar mesada para comprar o silêncio do ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).Além disso, o presidente avaliza uma série de ilícitos cometidos por Joesley durante a conversa.

Na presença de Joesley, Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em seguida, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados pelo empresário goiano.

No caso de Aécio, o senador tucano foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista. E uma conversa de áudio, que durou cerca de 30 minutos, o presidente do PSDB aparece pedindo R$ 2 milhões ao empresário sob a justificativa de que precisava pagar despesas com sua defesa na Lava Jato.

O encontro entre Aécio Neves e Joesley Batista aconteceu no dia 24 de março, no Hotel Unique, em São Paulo. Na ocasião, Aécio citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia.

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