Temer poderá redistribuir para aliados 10 mil cargos de petistas

Número foi levantado pelo jornal O Globo ao cruzar os registros de filiados ao partido com as listas oficiais de servidores comissionados

O vice-presidente Michel Temer (PMDB), que assumirá o comando do país no caso de confirmação do afastamento da presidente Dilma Rousseff, terá à sua disposição cerca de 10 mil cargos comissionados atualmente ocupados por petistas no governo federal. Isso representa em torno de 10% dos postos de segundo e terceiro escalões de livre nomeação do Executivo. É o que mostra levantamento publicado pelo jornal O Globo neste domingo (8), com base em um universo de 107.121 funcionários comissionados distribuídos nos três poderes, em estatais, autarquias e outros órgãos.

A partir da próxima quarta-feira (11), quando o Senado vai votar em plenário a instauração do processo de impeachment de Dilma – e, como até o governo admite, com muita probabilidade de aprovação –, Temer vai poder distribuir a fatia do bolo entre partidos, substituindo os petistas por indicações de partidos aliados. O trabalho de coleta de dados do jornal foi feito por meio do cruzamento de nomes de filiados ao PT, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a lista de servidores comissionados disponível o Portal da Transparência, página do próprio governo federal na internet.

Segundo O Globo, também os servidores concursados filiados ao PT que exercem funções de confiança no governo federal foram incluídos no levantamento. Devido a “disparidades” entre os dados fornecidos pelo TSE e os do Executivo, ressalva o jornal, “a lista pode conter homônimos”. “Ainda assim, os números encontrados podem estar abaixo do real tamanho da fatia petista na administração federal, pois não estão contemplados cargos de confiança de indicados pelo PT que não são filiados”, acrescenta a reportagem assinada pelos repórteres Gabriela Allegro, Stella Borges, André de Souza e Tiago Dantas.

A tendência é que grande parte dos servidores petistas deixe o cargo espontaneamente, lembra o jornal, uma vez que na última reunião do Diretório Nacional do PT, em 19 de abril, a legenda avisou que não reconheceria a legitimidade do cada vez mais provável governo Temer – ou seja, segundo dirigentes do partido, os indicados do PT não aceitariam fazer parte da nova gestão.

“O PT não reconhece um governo que não seja oriundo das urnas. Logo, um filiado do PT não deve participar de um eventual governo Temer”, sintetizou o secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, para quem o partido não aparelhou o Estado – prática que passou a ser vulgarmente chamada como “cabide de empregos”. “O que aconteceu foi uma distribuição dos cargos entre os aliados para governar, algo absolutamente normal.”

Baque

A principal concentração de petistas por órgão da administração federal está no Ministério do Desenvolvimento Agrário, onde 25% do total de cargos comissionados são reservados aos petistas. Responsável por políticas fundiárias e por projetos de agricultura familiar, a pasta está sob o comando do PT desde o primeiro ano de mandato do governo Lula, em 2003.

“A possível troca de governo pode representar mais um baque para as contas do partido. Filiados em cargos de confiança doaram R$ 7 milhões ao PT em 2014, segundo última prestação de contas disponível no TSE. O número representa cerca de 2% da receita de R$ 342,4 milhões. A maior parte da receita (R$ 193,1 milhões) veio de doações para as campanhas eleitorais de 2014”, informa a reportagem.

 

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