Temer não tem legitimidade para suceder Dilma, diz vice-presidente do PSDB

Ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman diz que superação da crise política depende de "arranjo político", com a saída de Dilma e a convocação de novas eleições. Para ele, peemedebista está sob suspeição e o governo foi para "cucuia"

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), não tem legitimidade para assumir o poder num eventual afastamento da presidente Dilma, e o único caminho viável para superar a crise política é a convocação de novas eleições. Esta é a opinião do vice-presidente do PSDB, o ex-deputado e ex-governador Alberto Goldman (SP). A avaliação de Goldman contrasta com a posição defendida por outras lideranças tucanas, como o presidente do partido, o senador Aécio Neves (MG), que têm mantido conversas com o PMDB sobre a possibilidade de reaproximação entre as duas legendas.

Em artigo publicado em seu blog nesta segunda-feira (8), Goldman defendeu a construção de um “arranjo político”, com o afastamento de Dilma e a convocação de novas eleições, para que o país supere a crise política. “O PT, Dilma e Lula passaram a ser o foco da indignação popular. O povo quer vê-los pelas costas. Mas não creio que Temer tenha a legitimidade e a capacidade para governar necessários para substituir o PT no poder”, escreveu.

Para o ex-deputado, Temer está sob suspeição por ter sido eleito na mesma chapa que Dilma. "Se o vice e seu PMDB assumirem, terão condições melhores de governar do que tem Dilma? Afinal, eles não estão tão envolvidos tanto nas políticas do atual governo, em todos os setores, quanto nos desvios morais que estão sendo escancarados pelas investigações do MPF e da PF? O vice não foi beneficiado, como dobradinha de Dilma, da corrupção que impulsionou a reeleição? Não seria um novo problema?", questiona Alberto Goldman.

Lideranças do PSDB têm defendido que o afastamento de Dilma só será possível se as investigações em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a presidente prosperarem. Mas falta consenso dentro do partido oposicionista sobre a maneira com que a sucessão seria conduzida. Para Goldman, seja por renúncia, impeachment ou cassação do mandato, Dilma será sucedida, “em um quadro de normalidade constitucional”, por Michel Temer. Seja qual for a alternativa, o governo e o PT já foram para “cucuia”, diz o vice-presidente tucano.

Veja a íntegra do artigo de Alberto Goldman:

E Michel Temer é solução? Ou será um novo problema?  Precisamos de um novo arranjo político para governar.

Dilma, seu governo e seu partido já foram pra cucuia.  Como será o futuro para os 205 milhões de brasileiros?

Se ela, ainda sim, ficar na presidência, o país terá que conviver com a agonia de um grupo no poder sem credibilidade, sem capacidade de governar e sem respeitabilidade.  Vale dizer vamos sentir por mais de 3 anos o cheiro da desagregação e da decomposição desse governo.  E o povo sofrer ainda mais.

E se ela sair por qualquer das formas possíveis, renúncia, impedimento ou cassação do mandato?    Assumirá, em um quadro de normalidade constitucional, o vice, Michel Temer.

Se o vice e seu PMDB assumirem, terão condições melhores de governar do que tem Dilma?  Afinal eles não estão tão envolvidos tanto nas políticas do atual governo, em todos os setores, quanto nos desvios morais que estão sendo escancarados pelas investigações do MPF e da PF?  O vice não foi beneficiado, como dobradinha de Dilma, da corrupção que impulsionou a reeleição? Não seria um novo problema?

As ruas mostram uma mudança qualitativa.  O PT, Dilma e Lula passaram a ser o foco da indignação popular.   O povo quer vê-los pelas costas.  Mas não creio que Temer tenha a legitimidade e a capacidade para governar necessários para substituir o PT no poder.

O melhor para o país seria o afastamento da presidente e do vice e a  construção de uma saída democrática que se apoie em eleições livres e limpas.  Um novo arranjo político para dirigir o país.

Penso que é com essa perspectiva que temos que trabalhar para superar a profunda crise moral, econômica e política por que passamos.  Árduo e doloroso, mas é o melhor caminho.”

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