Temer grava vídeo para redes sociais e critica protestos: “O Brasil não parou e não vai parar”

“As manifestações ocorreram com exageros, mas deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil”, discursa o presidente, em material veiculado no dia seguinte às manifestações que pediram sua saída da Presidência e eleições diretas

 

Formalmente investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer gravou um novo vídeo para redes sociais (veja abaixo) por meio do qual reclama dos protestos desta quarta-feira (24), quando a ação de black blocs transformou a Esplanada dos Ministérios em um campo de batalha. Mas, em meio à mais grave crise desde que tomou posse, em maio de 2016, o peemedebista resolveu focar o discurso nas “matérias importantíssimas no Congresso Nacional” – ele se refere à aprovação, sem a oposição em plenário, de medidas provisórias na Câmara, mas também fez menção às impopulares reformas trabalhista e previdenciárias, paralisadas desde as delações da JBS que o ameaçam de condenação por corrupção passiva, obstrução de Justiça e associação criminosa.

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“As manifestações ocorreram com exageros, mas deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil e aprovaram número expressivo de medidas provisórias – sete em uma semana”, discursou, sem citar o fato de que a Câmara aprovou as matérias em um plenário só com governistas. Oposicionistas deixaram a sessão plenária justamente porque o peemedebista decidiu decretar uso das Forças Armadas para conter manifestações nesta quarta-feira, decisão já desfeita devido à repercussão negativa.

Veja no vídeo:

 

Mas, se diz ter amplo apoio no Congresso, Temer coleciona problemas na base aliada e até no próprio partido. Como este site mostrou mais cedo, a senador Eduardo Braga (PMDB-AM) classificou como retaliação do presidente a ele a demissão da superintendente da Zona Franca de Manaus, a ex-deputada Rebecca Garcia (PP-AM), no cargo desde outubro de 2015, ainda no governo Dilma.

Em entrevista ao Congresso em Foco, o senador atribuiu a saída de sua aliada à decisão dele de votar pelo adiamento da reforma trabalhista no Senado e à proximidade que mantém com o líder da bancada no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desafeto do presidente Michel Temer.

Ontem (quarta, 24), Renan foi ao plenário e, no calor das manifestações de rua contra Temer, travou um verdadeiro duelo verbal em plenário com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), principal articulador de Temer no Congresso. O destino de Renan, para quem o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), peemedebista histórico, já não fala pela liderança da bancada “há muito tempo”, será traçado na próxima terça-feira (30).

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