Temer diz que Funaro, delator do “quadrilhão do PMDB”, desinforma autoridades do MPF

 

Em resposta às acusações do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou em nota (leia íntegra mais abaixo) nesta quinta-feira (21) que o doleiro “desinforma as autoridades do Ministério Público Federal (MPF)”. Com acordo de colaboração judicial já homologado no Supremo Tribunal Federal, Funaro é apontado como operador do PMDB em esquema de corrupção e considerado uma testemunha-chave nos processos que envolvem Temer e o chamado “quadrilhão do PMDB”.

<< “Cunha distribuía propina a Temer, com 110% de certeza”, diz Funaro

<< Temer tinha poder decisório no “quadrilhão” do PMDB e recebeu R$ 31,5 milhões, diz PF

Em seu acordo de delação premiada, Funaro afirmou que Cunha dizia a ele que Temer recebia propina e que tem “110% de certeza” que Cunha redistribuía propina a Temer. Funaro também aponta que o ex-assessor e amigo de longa data de Temer, o advogado Jose Yunes, lavava dinheiro para Temer por meio de aquisição de imóveis. O delator disse também que Yunes, “além de administrar, investia os valores ilícitos em sua incorporadora imobiliária”.

<< Com voto contra de Gilmar, STF confirma envio de segunda denúncia contra Temer à Câmara

Na nota distribuída pela assessoria de comunicação do governo, Temer diz que Cunha não era filiado ao PMDB na época da aquisição de um dos imóveis e que os comprou de forma lícita. Afirma ainda que os recursos têm origem em contas pessoais e aplicações particulares.

“Funaro continua espalhando mentiras e inverdades de forma contumaz, repetindo o mesmo roteiro de delações anteriores, em que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, com já registrou a Procuradoria Geral da República”, diz trecho da nota.

Leia a íntegra:

"Nota à imprensa

O doleiro Lúcio Funaro mais uma vez desinforma as autoridades do Ministério Público Federal. Todos imóveis do presidente Michel Temer foram comprados de forma lícita e estão declarados à Receita Federal. O imóvel na Avenida Faria Lima, em São Paulo, por exemplo, foi adquirido no início de 2003. Eduardo Cunha sequer era filiado ao PMDB no momento da compra.

Os recursos vieram de contas pessoais e aplicações do presidente, todos devidamente declarados em Imposto de Renda, assim distribuídos:

1 - R$ 220 mil aplicados em renda fixa no Banespa;

2 – R$ 323 mil aplicados em fundo de investimento no Santander;

3 – R$ 235 mil aplicados em fundo de investimento no Banco do Brasil;

4 – R$ 252 mil aplicados em fundo de investimento no Banespa;

5 – R$ 194 mil Crédito referente à parte de pagamento pela venda de casa na rua Flávio de Queiroz Morais, 245

6 – R$ 1 milhão provenientes Temer Advogados Associados, honorários recebidos por ação do início da década de 1970.

Essas foram as economias usadas para adquirir as salas, pagas à vista. O prédio só foi entregue efetivamente em 2010. Funaro continua espalhando mentiras e inverdades de forma contumaz, repetindo o mesmo roteiro de delações anteriores, em que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, com já registrou a Procuradoria Geral da República.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República"

 

<< Janot denuncia Temer pela segunda vez e o acusa de liderar organização criminosa; leia a íntegra

<< Temer tinha poder decisório no “quadrilhão” do PMDB e recebeu R$ 31,5 milhões, diz PF

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!