Temer diz a parlamentares ser vítima de “conspiração”

“Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República”, afirma o presidente

Na véspera da votação sobre o prosseguimento da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o presidente Michel Temer enviou uma carta aos deputados para convencê-los a suspender a investigação requerida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). No documento, enviado na segunda-feira (16/10) em quatro páginas, o peemedebista afirma ser vítima de uma "urdida conspiratória". A carta é o destaque dos jornais Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo e Valor Econômico.

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Além de citar a “conspiração”, o presidente deixa claro o clima de tensão dias antes da votação na CCJ sobre a segunda denúncia apresentada contra ele pela Procuradoria-Geral da República. Embora afirme que a carta é também um “desabafo” – com críticas dirigidas ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e aos delatores Joesley Batista, da JBS, e Lúcio Funaro, operador do PMDB –, a ofensiva de Temer contra a suposta conspiração ocorreu em meio a uma crise entre o Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”, escreveu.

Ele cita Janot, Joesley, o ex-procurador Marcelo Miller e o advogado Willer Tomaz como fatos incontestes disso. “Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de: livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o presidente da República”, completou.

Temer cita na carta a entrevista em que o procurador Ângelo Goulart Vilela disse ter permanecido preso durante 76 dias, sem que fosse ouvido: "Nela, evidenciou que o único objetivo do ex-procurador-geral era derrubar o presidente da República”, afirmou o presidente. “Veja que trama.”

O presidente diz ainda que as declarações do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba há quase um ano, à revista "Época" indicam que a delação de Funaro só foi aceita porque a de Cunha não entregava o presidente. "Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia", diz a carta.

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