Temer cede a ameaça de deputados e cancela importação de café para evitar rebelião

Parlamentares governistas de Minas Gerais, do Espírito Santo, da Bahia e de Rondônia ameaçaram votar contra propostas de interesse do Planalto se o presidente não revisse decisão tomada com aval do ministro da Agricultura

 

 

O presidente Michel Temer foi obrigado a cancelar a importação de 1 milhão de sacas de café conilon, entre fevereiro e maio deste ano, depois que deputados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rondônia que compõem sua base de apoio ameaçaram votar contra propostas de interesse do governo. Cada saca tem 60 kg de café. Esses estados estão entre os que mais produzem o grão no país.

A importação do produto foi decidida há uma semana pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) com o apoio do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que é senador licenciado e um dos principais líderes da base ruralista. Um grupo de deputados de vários partidos esteve na noite de terça-feira (21) no Palácio do Planalto e pressionou Temer a cancelar a decisão tomada pelo colegiado a pedido de Blairo.

Os deputados ameaçaram Temer e disseram que votariam contra as reformas da Previdência e trabalhista, em tramitação na Câmara. “O Blairo Maggi decidiu a importação sem necessidade, acreditando em relatórios imprecisos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)", disse o deputado Evair Vieira de Melo (PV-ES).

A Cegex tinha reduzido o imposto de importação cobrado sobre a importação do café conilon de 10% para 2% para negócios fechados fechadas até maio, o que derrubaria os preços e prejudicaria os produtores dos Estados produtores. O comitê alegou que estava faltando o produto para a indústria.

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