Temer aumentará impostos para reduzir déficit de 2017

Meta fiscal, que pode chegar a R$ 160 bilhões, deve ser anunciada ainda hoje pela equipe econômica. Estão no rol de tributos a serem reajustados o imposto sobre combustíveis (Cide) e a PIS/Cofins

Para diminuir o rombo nas contas públicas de 2017, o presidente interino Michel Temer vai recorrer ao aumento de impostos. O déficit de R$ 194 bilhões previsto para o ano que vem é considerado preocupante pelo governo e a saída apontada até o momento é o reajuste da Cide (imposto sobre combustíveis) e do PIS/Cofins. Propostas como a venda de dívidas ativas da União no mercado e o programa de privatizações e concessões também estão na pauta da equipe econômica.

O governo ainda não fechou o valor da meta fiscal para o ano que vem. Mas, em reunião na noite desta quarta-feira (6), a equipe econômica reforçou a decisão de que a meta terá de ser menor do que a deste ano, que tem um déficit primário de R$ 170,5 bilhões. No encontro com os ministros, o presidente interino informou que, pelos cálculos oficiais, o Orçamento de 2017 poderia registrar um deficit de R$ 194 bilhões, já prevendo a aplicação da PEC que estabelece um teto para os gastos públicos - que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior.

Segundo o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, senador Wellington Fagundes (PR-MT), além da Cide, ainda estão em análise outros tributos que não dependem da aprovação do Congresso. A expectativa é que a elevação do imposto sobre combustíveis seja de R$ 0,10 para R$ 0,60 e poderia resultar num reforço de caixa anual de até R$ 15 bilhões. O reajuste da Cide acarreta em reflexos variáveis em várias escalas da cadeia produtiva, já que aumenta o custo do transporte rodoviário de carga no país.

O presidente interino pretende anunciar o valor da meta fiscal para 2017 ainda nesta quinta-feira. Para isso, precisará superar o impasse interno. Na equipe econômica, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defende uma meta mais próxima de R$ 140 bilhões a R$ 150 bilhões. Já a ala política do governo, liderada pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), insiste em um valor em torno de R$ 160 bilhões.

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