Telefônicas: “CPI não nos assusta”

Diretor de sindicato diz que, pelo crescimento do setor, manter número de reclamações não é “má notícia”. Segundo ele, pesquisa que mostra satisfação de usuário e investimentos recordes tornam investigação desnecessária

Ameaçadas com a instalação de uma CPI na Câmara, as telefônicas dizem não haver razão para serem investigadas. Acusadas por deputados de destratarem a Câmara e os usuários do serviço de telefonia, elas alegam serem injustiçadas e não terem sua contribuição para o país devidamente reconhecida. É o que argumenta o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Carlos Duprat, em entrevista ao Congresso em Foco.

O diretor diz que as companhias sempre respeitarem e responderam aos questionamentos dos parlamentares e têm em mãos pesquisa recente encomendada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que mostra que, ao contrário do que se diz, é baixo o índice de insatisfação do usuário com os serviços telefônicos. Este, além do investimento recorde feito ano passado pelo setor, será o principal argumento a ser explorado pelas operadoras na audiência conjunta convocada pelas Comissões de Fiscalização Financeira e Controle e da Amazônia, para o próximo dia 22.

“Não somos perfeitos, falta muito para atingirmos o nível adequado. Mas poucos têm nos dado valor. Estamos num momento interessante de botar em pratos limpos. A CPI não nos assusta”, afirma Carlos Duprat.

Segundo ele, a debandada de parlamentares das duas comissões, na reunião do dia 9, pegou o sindicato de surpresa. “Foi feito um teatro. Nós fomos aceitos como representantes das empresas. Nossos nomes estavam lá. De repente, disseram que não seria daquele jeito. Fomos surpreendidos naquele momento por aquele tipo de posição”, explica.

Satisfação

Surpreendente também foi, na avaliação dele, o resultado da pesquisa da Anatel que mostra, entre outras coisas, que apenas 13,8% dos entrevistados se dizem insatisfeitos com o serviço pós-pago. Ao todo, 29,5% dos usuários da modalidade informaram estar satisfeitos de maneira geral. A maioria (56%) afirmou não estar satisfeita nem insatisfeita. No pré-pago, 48,3% se declararam satisfeitos e 7,8% disseram estar insatisfeitos. Em ambos os casos, o total dos que informaram estar completamente insatisfeitos não chegou a 1%. A pesquisa da Anatel, contratada a pedido do Tribunal de Contas da União (TCU) para aferir a opinião dos usuários, ouviu mais de 200 mil pessoas. Os dados estão sendo divulgados por etapas.

Os números contrastam com o elevado e crescente número de reclamações contra as telefônicas registradas por órgãos de defesa do consumidor. No ano passado, o setor foi o campeão de queixas nos Procons de todo o país, com quase 10% das reclamações. Das cinco empresas mais demandadas, três eram do ramo: Oi, Claro, Vivo/Telefônica (leia mais).

Comparação injusta

“Somos e seremos sempre campeões de reclamação, porque telecom é assim no mundo inteiro. Quando se trata de maneira absoluta, não se rateia pela base, fica injusta a acusação”, afirma Carlos Duprat. “Ter como meta deixar de ser campeão de reclamação é muito difícil porque nossos números de crescimento são muito altos”, acrescenta o diretor do sindicato das empresas.

Segundo ele, deixar o topo do ranking das reclamações é muito difícil porque o serviço concentra 350 milhões usuários, seja por dispositivo móvel, fixo ou banda larga, em todo o país. “É uma base que nenhum outro serviço tem. Se formos avaliados em números absolutos, ficamos numa posição muito injusta. A meta é reduzir. Mas, com a base crescendo, a própria manutenção do número absoluto não é má notícia. Estaremos, assim, com menos reclamações por milhão de consumidores”, afirma.

Investimento recorde

Para acompanhar o crescimento da demanda, explica Duprat, o setor de empresas de telecomunicações teve recorde de investimentos em 2012. Foram R$ 25,3 bilhões (11% a mais que em 2011). “Somos o maior programa de inclusão digital que o Brasil tem. Todas as escolas estão conectadas de graça por mais dez anos. Fizemos um esforço muito grande. Mas o reconhecimento não tem sido na mesma proporção”, reclama o diretor do sindicato das empresas.

Segundo ele, não há por que o setor temer pela instalação de uma CPI. “Não é que a gente tenha interesse na instalação da CPI. Mas se ela for instalada, vamos esclarecer a sociedade com essa pesquisa. Estamos abertos à discussão. Não é simples um setor investir o que investimos no ano passado”, afirma.

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