Tarifa zero em 17 capitais custaria quase um ano de Bolsa Família

Levantamento feito pelo Globo mostra que a gratuidade no transporte urbano para todos custaria R$ 27 bilhões por ano nessas cidades. Valor é próximo dos R$ 28 bilhões que o governo federal reserve para o seu principal programa social em 2016

Os gastos públicos para instituir a tarifa zero no transporte público em 17 capitais brasileiras custaria quase o mesmo valor anual do Bolsa Família. De acordo com levantamento do jornal O Globo, apenas essas prefeituras precisariam desembolsar R$ 27 bilhões por ano para garantir a gratuidade a todos os seus cidadãos. Principal programa social do governo federal, o Bolsa Família tem previsão orçamentária de R$ 28,8 bilhões para 2016. O gasto com a tarifa zero é quase o dobro do orçamento do Ministério dos Transportes (R$ 13,8 bilhões) e maior que o da Fazenda (R$ 25,2 bilhões).

Segundo a reportagem, os municípios pesquisados destinaram R$ 3,2 bilhões em subsídios para o transporte público em 2015, entre renúncias fiscais e investimentos. Teriam de aumentar esse desembolso em 743% para garantir o passe livre. Na capital paulista, o governo municipal teria de aplicar R$ 7,7 bilhões, o equivalente à arrecadação da prefeitura com o IPTU. No Rio, seriam necessários R$ 4 bilhões. Em Porto Alegre, o gasto com a tarifa zero equivaleria a 90% do orçamento da Saúde. Ainda de acordo com o Globo, em Teresina, a política de transporte gratuito para todos consumiria mais dinheiro do que a educação no município. Dez capitais não forneceram dados para o levantamento.

A proposta é polêmica. Encampada nas ruas desde 2013, com as manifestações de junho, a eficácia da tarifa zero é contestada por economistas ouvidos pelo Globo. “O passe livre significará para a população que paga impostos, muitos deles pagos por pessoas de baixa renda, o custeio do consumo da classe média ou até da elite”, declarou ao jornal o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper.Já representantes do Movimento Passe Livre em São Paulo e Belo Horizonte criticam a legitimidade dos dados repassados pelas prefeituras ao Globo. Segundo eles,a conta considera o lucro das empresas de ônibus.

Leia a reportagem do Globo

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