SwissLeaks: 16 brasileiros com conta na Suíça doaram mais de R$ 50 mil nas eleições

Entre os correntistas do banco na Suíça que financiaram candidaturas, aparecem nomes conhecidos como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o industrial Benjamin Steinbruch e o apresentador de TV Ratinho

Pelo menos 16 grandes doadores da campanha eleitoral de 2014 mantiveram, em algum momento, contas na agência do HSBC, em Genebra, na Suíça. Segundo reportagem publicada em parceria pelo UOL e pelo jornal O Globo, essas pessoas doaram R$ 5,8 milhões a políticos e a partidos no ano passado. Eles fazem parte do grupo de 976 pessoas físicas que contribuíram com R$ 50 mil ou mais na eleição passada.

Os dados fazem parte de série de reportagens sobre o chamado SwissLeaks, alvo de uma CPI no Senado. Há registro de 8.667 clientes relacionados ao Brasil presentes nos arquivos do HSBC da Suíça nos anos de 2006 e 2007.

De acordo com o UOL e O Globo, os 16 grandes financiadores eleitorais que mantiveram conta na filial suíça do banco britânico naqueles dois anos: Alceu Elias Feldmann (Grupo Fertipar); Armínio Fraga Neto (ex-presidente do Banco Central); Benjamin Steinbruch (CSN); Carlos Roberto Massa (o apresentador Ratinho, do SBT); Cesar Ades (presidente do Banco Rendimento); Cláudio Szajman (VR, Vale Refeição); Edmundo Rossi Cuppoloni (ex-sócio da Rossi Residencial); Fábio Roberto Chimenti Auriemo (empreiteira JHSF); Francisco Humberto Bezerra (ex-sócio do BicBanco); Gabriel Gananian (dono da Steco Construtora); Hilda Diruhy Burmaian (Banco Sofisa); Jacks Rabinovich (CSN); José Antonio de Magalhães Lins (sócio da Axelpar); Miguel Ricardo Gatti Calmon Nogueira da Gama (advogado, OAB-SP); Paulo Roberto Cesso (nono do Colégio Torricelli) e Roberto Balls Sallouti (BTG Pactual).

Manter uma conta na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja uma operação declarada à Receita Federal e informada ao Banco Central. Procurados, a maioria dos doadores negou irregularidades. Alguns, como o ex-presidente do BC Armínio Fraga, apresentaram documentos para comprovar que declararam a conta às autoridades brasileiras. “Não faço parte dessa lama”, disse Armínio, que chegou a ser anunciado como ministro da Fazenda num eventual governo Aécio Neves (PSDB), ao longo da campanha eleitoral.

Os grandes financiadores com contas na Suíça doaram R$ 2,9 milhões para Aécio e outros candidatos do PSDB. Já o PT e seus candidatos receberam R$ 1,5 milhão de doações desses financiadores em 2014. Foram beneficiados pelo grupo, ao todo, políticos de 12 partidos.

Veja a reportagem no UOL
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