Ministro quer esclarecer venda de casa de Marconi

A pedido de Gurgel, Humberto Martins, do STJ, pediu quebra de sigilos de terminal telefônico e transcrição de mais áudios envolvendo negócios de Cachoeira considerados suspeitos para esclarecer transação de casa que foi do governador

As informações sobre a negociação do heliporto, o interesse do bicheiro Carlinhos Cachoeira na construção de escolas pré-moldadas para a rede estadual e os contratos da Delta com o governo de Goiás ajudarão o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a montar o quebra-cabeças do inquérito sobre Marconi Perillo (PSDB) no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas há mais peças para se desvendar a história.

O ministro relator do caso, Humberto Martins, determinou a busca de outras informações para que o Ministério Público Federal aponte se existe ou não participação do governador de Goiás em algum esquema armado por Cachoeira. Ele ainda aguarda receber cópia de um procedimento administrativo do Ministério da Justiça que investigou a existência de contas no exterior de Marconi Perillo. Mas investigadores ouvidos pelo Congresso em Foco afirmam que, como não houve comprovação da existência dessas contas, esse caso foi arquivado.

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Para apurar a venda da casa do governador no condomínio Alphaville em Goiânia, o STJ requisitou documentos aos cartórios de registros de imóveis. No papel, a casa está registrada em nome de uma empresa do empresário Walter Paulo, mas era Cachoeira quem lá morava quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo. Ali, ele foi preso pela Polícia Federal em 29 de fevereiro deste ano.

O ministro Humberto Martins pediu ainda à Junta Comercial os registros de criação e alteração da empresa Mestra Administração e participações Ltda., pertencente a Wlater Paulo. Grampos telefônicos mostram Cachoeira negociando a compra da casa em três parcelas que, somadas, chegam a R$ 1,4 milhão. De fato, três cheques foram depositados na conta de Marconi no ano passado. Eles foram emitidos pela empresa de um sobrinho do bicheiro, Leonardo Ramos.

O governador nega que tenha vendido a casa ao bicheiro. Afirmou que, por intermédio do ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), negociou o imóvel com o Walter Paulo. Ex-vereador em Goiânia, Wladimir Garcez era um interlocutor frequente de Cachoeira.

Quebra de sigilo

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a quebra do sigilo de um terminal telefônico para aprofundar as investigações. O pedido foi aceito pelo ministro. Com isso, chegarão ao Ministério Público listas com as ligações feitas e discadas a partir do aparelho. O ministro do STJ e o procurador-geral da República não revelaram ao site a quem pertence essa linha telefônica. A Procuradoria Geral da República solicitou à PF a transcrição de mais grampos telefônicos feitos pela Operação Monte Carlo.

Quando todas essas informações chegarem, serão remetidas a Gurgel. Ao fim, o ministro Humberto Martins vai determinar a tomada de depoimentos de testemunhas pedidas pelo procurador-geral da República. Gurgel quer ouvir o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), Cachoeira, Walter Paulo, o ex-diretor do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso, o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Dias Abreu, e o ex-vereador Wladimir Garcez.

Pedido de investigação

Ao menos por enquanto, Marconi Perillo não deverá ser chamado a depor no inquérito. O governador foi quem pediu para ser investigado pelo STJ com o objetivo de comprovar não ter relações ilegais com Cachoeira e sua quadrilha.

A reportagem enviou à assessoria do governador questões semelhantes às formuladas por Gurgel e remetidas ao governo por determinação do ministro Humberto Martins. Mas o governador avisou que só prestará esclarecimentos ao STJ.

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