Cid Gomes e advogado mineiro pedem impeachment de Temer

Processo aponta que Temer cometeu os mesmos crimes de responsabilidade denunciados contra presidente Dilma Rousseff. Cid

Valter Campanato/Agência Brasil
O ex-governador do Ceará Cid Gomes protocolou nesta sexta-feira (1º) na Câmara um pedido de impeachment contra o vice-presidente da República Michel Temer, em razão dos seis “crimes” que ele atribui a Temer enquanto “pessoa física e jurídica”.  Na representação, o ex-governador enfatiza que o vice-presidente é citado em delações premiadas, como a do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), e chama a atenção para as doações eleitorais direcionadas ao PMDB, legenda presidida por Temer.

“Eu tenho dito sistematicamente que ele é o chefe da quadrilha política que assola e achaca o Brasil há 20 anos. Não quero estender essa acusação ao PMDB todo, mas os cabeças dessa quadrilha estão no partido e ele, Temer, é o cabeça dos cabeças. É impossível entregar o país a uma pessoa como essa”, fustigou o ex-ministro da Educação, que hoje engrossa as fileiras do PDT.

Na denúncia, Ciro não acusa Temer de ter recebido propina no esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal na Petrobras, mas diz que ele tem de ser responsabilizado, como presidente nacional do PMDB, pelos repasses ilícitos que investigadores dizem identificado para campanhas e personagens do partido. “Foi revelado, por força da Operação Catilinárias [desdobramento da 21ª fase da Operação Lava Jato], o pagamento da quantia de R$ 5 milhões ao denunciado, valor cuja suspeita de origem ilícita é marcante – mormente pelas insuficientes explicações ofertadas pelo denunciado após a revelação de mensagens sobre o pagamento de tal quantia, por parte do senhor Léo Pinheiro, trocadas pelo denunciado e o presidente da Câmara dos Deputados, em cobrança por adiamento na quitação de compromissos com a ‘turma’”, diz trecho da denúncia.

STF

Outro pedido de impeachment foi protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Temer, na manhã desta sexta-feira (1o).  O ministro Marco Aurélio de Mello foi designado para relatar o caso, e  a análise do processo deve começar na próxima semana.

No documento, o autor do pedido, advogado mineiro Mariel Márley Marra, aponta que Temer também cometeu crimes de responsabilidade. De acordo com o texto, o vice-presidente teria atentado contra a lei orçamentária ao assinar os decretos que autorizavam abertura de crédito suplementar sem a autorização do Congresso Nacional – atos que ficaram conhecidos como “pedaladas fiscais”.

Segundo informações do  jornal Folha de S.Paulo, Mariel já tinha apresentado pedido de impeachment do vice-presidente à Câmara dos Deputados, mas o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aliado notório de Temer, arquivou o processo. Além do advogado, um grupo de profissionais da área que integram entidades representativas do Direito também afirmou que vai protocolar denúncia contra Temer.

Ainda de acordo com a Folha, a assessoria do vice-presidente da República não quis se manifestar.

Mais sobre crise na base

Mais sobre Operação Lava Jato

Leia a íntegra da matéria divulgada pela Folha.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!