STF não pode se tornar corte bolivariana, diz Gilmar Mendes

Em entrevista à Folha de S. Paulo, ministro afirma temer que o Supremo vire um tribunal que apenas chancela as ações do Executivo e perca seu papel de contrapeso institucional

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que a instituição corre o risco de se tornar uma “corte bolivariana” caso praticamente toda a sua composição seja indicada pelo PT. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (3) pela Folha de S. Paulo, Gilmar afirmou temer que o Supremo vire um tribunal que apenas chancela as ações do Executivo e perca seu papel de contrapeso institucional. "Não tenho bola de cristal, é importante que [o STF] não se converta numa corte bolivariana", declarou. "Isto tem de ser avisado e denunciado."

Indicado para o cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Gilmar pode chegar ao final do segundo governo Dilma na condição de único ministro do STF não escolhido pelos petistas Lula e Dilma. A expressão “bolivariana” diz respeito ao modelo intervencionista em todas as esferas públicas adotado pelo ex-presidente da Venezuela Hugo Cháves, morto em 2013.

Na entrevista a Valdo Cruz e Severino Motta, Gilmar Mendes defendeu mudanças na Justiça eleitoral. “Talvez devamos pensar numa estrutura de Justiça Eleitoral mais forte, uma composição menos juvenil”, disse. O ministro também criticou o PT e o ex-presidente Lula. “Sabemos, toda Brasília sabe, eu convivi com o presidente Lula, de que não se trata de um abstêmio”, afirmou ao ser questionado se não havia se excedido ao condenar um discurso de Lula contra Aécio Neves durante a campanha eleitoral.

Leia a íntegra da entrevista na Folha

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