STF deve confirmar Joaquim como novo presidente

Eleição vai acontecer no início da sessão desta quarta-feira. Depois da votação, ministros encerram análise do capítulo da compra de votos no mensalão

O relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, deve ser confirmado nesta quarta-feira (10) como novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Atual vice-presidente da corte, ele assume no lugar de Carlos Ayres Britto, que completa 70 anos no próximo mês e terá de se aposentar compulsoriamente. Após a votação, os ministros concluem a votação do capítulo 6 da denúncia, que trata da compra de votos na base aliada.

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A votação é secreta e em cédula de papel. Pelo regimento interno do STF, assume a presidência o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o cargo. Joaquim é o primeiro da lista. Com a confirmação de seu nome para a posição, assume a vice-presidência Ricardo Lewandowski. A posse deve ocorrer no próximo mês, dias antes da aposentadoria compulsória de Ayres Britto.

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Com os diversos embates com outros colegas da corte, a possibilidade de Joaquim assumir a presidência passou a ser contestada por uma parte dos ministros. Marco Aurélio Mello foi o principal porta-voz da insatisfação. Disse que o presidente deve agir como "algodão entre cristais" para evitar crises. Ele classificou como "ferro entre cristais" a atuação do colega durante o julgamento do mensalão por causa das discussões frequentes entre Joaquim e outros ministros como o próprio Marco Aurélio e Lewandowski.

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Joaquim não gostou das declarações do colega. Em nota enviada ao jornal O Globo, chegou a dizer que Marco Aurélio só virou ministro do STF por ser primo do então presidente Fernando Collor de Mello. Aos jornalistas que cobrem o julgamento, pediu que "comparassem o currículo dos dois" e ainda disparou: "Se Marco Aurélio conseguiu ser presidente, por que eu não conseguirei?"

Mensalão

Depois da eleição, os ministros retomam a análise do capítulo 6 da denúncia, que trata da compra de apoio político. Faltam ainda votar os ministros Celso de Mello e Carlos Ayres Britto. A posição dos dois não mudará o resultado. Do chamado núcleo político do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu recebeu seis votos pela condenação e dois pela absolvição. Já o placar para o ex-presidente do PT José Genoíno está em sete a um pela culpa. No caso de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, todos os ministros se posicionaram pela culpa.

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A expectativa é que, depois dos votos de Celso e de Ayres Britto, o relator da Ação Penal 470 inicie a análise do item 7. Ele trata especificamente dos petistas Paulo Rocha (PA), Professor Luizinho (SP), João Magno (MG), todos ex-deputados, e do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e seu ex-assessor José Luiz Alves. Também está nesta parte Anita Leocádia, ex-assessora de Professor Luizinho. Todos são acusados do crime de lavagem de dinheiro. O relator do mensalão espera terminar a leitura deste item ainda hoje.

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