STF autoriza depoimento do presidente do TCU em inquérito sobre Angra 3

Aroldo Cedraz foi autorizado a prestar depoimentos em inquérito apura a participação de seu filho, Tiago Cedraz, do ministro do TCU Raimundo Carreiro e de parlamentares do PMDB em um suposto esquema de corrupção na usina

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal , ministro Teori Zavascki, atendeu ao pedido da Polícia Federal, com o aval da Procuradoria Geral da República, e autorizou que o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, preste depoimento em inquérito que envolve irregularidades na licitação da Usina de Angra 3. O inquérito apura a participação do filho de Aroldo, o advogado Tiago Cedraz, do ministro do TCU Raimundo Carreiro e de parlamentares do PMDB em um suposto esquema de corrupção na usina.

Teori prorrogou o prazo das investigações do caso até o mês de agosto. No pedido de prorrogação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot justificou que "a complexidade dos fatos investigados e do acervo probatório do caso Lava Jato explicam as dificuldades". Além de Tiago, também foram autorizadas as oitivas de Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear e de Andre Serwy, apontado como operador do senador Edison Lobão (PMDB-MA) no esquema. A PF também vai analisar os registros de viagens de Tiago Cedraz e Raimundo Carreiro.

O inquérito é baseado na delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa. Em depoimento, o empresário disse que Tiago Cedraz pediu R$ 1 milhão para garantir que a licitação e o contrato de construção da usina seguisse sem maiores problemas - a empreiteira integrava o consórcio de empresas responsável pela execução do projeto de construção de Angra 3. Segundo Pessoa, o dinheiro seria para Raimundo Carreiro, relator do processo de Angra 3 no TCU.

As investigações também incluem a participação dos senadores do PMDB no esquema: Edison Lobão, Romero Jucá (RR) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). Lobão, então ministro de Minas e Energia, é suspeito de articular os repasses ao  partido para financiar campanhas políticas de 2014, em troca do negócio de Angra 3, sob responsabilidade da Eletronuclear.

O advogado Tiago Cedraz nega que tenha recebido recursos da UTC para atuar junto ao TCU em favor da empresa. Carneiro também nega ter recebido propina e diz que nunca foi procurado por Tiago para tratar de processos no tribunal. Os demais envolvidos negam as informações que constam no depoimento de Ricardo Pessoa.

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