Simon nega que sessão de apoio a Dilma foi “encenação”

Senador do PMDB reafirma que ato não significa apoio à ação governamental da petista, mas sinalização que a faxina ministerial em curso tem respaldo de alguns parlamentares

Organizador da sessão plenária de apoio à “faxina” da presidenta Dilma Rousseff em ministérios, o senador Pedro Simon (PMDB) falou ao Congresso em Foco depois dos pronunciamentos. Manifestando certa satisfação ao deixar o palco dos discursos, o parlamentar gaúcho fez questão de ressaltar que a iniciativa não significa apoio às ações governamentais de Dilma, muito menos à ideologia da gestão petista.

Confira como foi a sessão plenária de apoio a Dilma

É apenas, diz Simon, a demonstração de que alguns congressistas não compactuam com as práticas de corrupção na administração pública e com o fisiologismo partidário em busca de cargos e privilégios políticos. E que a presidenta poderá contar com eles caso as providências moralizadoras sejam irrestritas, atingindo também ministérios como o da Agricultura – capitaneado por Wagner Rossi, do PMDB, maior partido da base aliada. No Ministério dos Transportes, feudo do PR, tanto o ministro Alfredo Nascimento (senador pelo Amazonas) quanto os principais funcionários do segundo escalão, todos do PR, foram demitidos – tratamento que pode resultar em retirada dessa legenda da base de sustentação governista no Congresso.

Foram mais de seis horas de sessão de solidariedade. Passaram pela tribuna do plenário 20 oradores, dos quais dois oposicionistas: Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) e o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), para quem a frente de apoio a Dilma na Casa não passou de “encenação”, quando o correto seria a ação efetiva contra a corrupção – referência indireta aos senadores que resistem a aderir à CPI dos Transportes (leia aqui e aqui).

“Encenação foi o que ele praticou durante os oito anos do governo de Fernando Henrique [Cardoso]. Eles não deixaram criar CPI nenhuma”, reclama Simon, referindo-se à maioria tucana no Congresso, que, a exemplo do PT governista, impedia sistematicamente CPIs desfavoráveis ao governo. “Nada mais igual do que o PT do Lula no poder do que o PSDB do Fernando Henrique no poder – tanto que o Jucá [Romero Jucá, PMDB-RR, líder do governo no Senado] foi líder dos dois e nunca se deu tão bem, representou ambos otimamente”, observou o senador, que assinou o requerimento de criação da CPI dos Transportes elaborado por Alvaro Dias.

“Eu nego ao nosso querido senador a autoridade de me negar autoridade. A Dilma é contra [a instalação da CPI]? É contra. O Lula sempre foi contra? Sempre foi. Fernando Henrique sempre foi contra? Sempre. Agora, a CPI é um direito que nós temos, quem decide somos nós. A Dilma pode dar o palpite dela, mas ninguém tem que obedecê-la aqui”, acrescentou Simon, que disse sequer imaginar o que a presidenta teria achado sua iniciativa.

“Não sei... dizem que ela é tão imprevisível que não não faço ideia”, brincou o senador.

A alegada “faxina” presidencial em ministérios ganhou força depois que diversos veículos de imprensa de repercussão nacional noticiaram as práticas criminosas operadas em ministérios por funcionários de segundo e terceiro escalão. A fonte da crise são as pastas da Agricultura, chefiada pelo peemedebista Wagner Rossi (indicação do vice-presidente Michel Temer), e a dos Transportes, cujo ministro desde a gestão Lula era o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), demitido após a descoberta de um esquema de desvio de recursos, superfaturamento e pagamento de propina supostamente operado na pasta pelo seu partido.

“Exagero” das algemas

Simon comentou ainda o descontentamento de aliados com o fato de alguns de seus indicados em ministérios terem sido algemados. O senador gaúcho diz que, tão exageradas quanto alguns procedimentos da PF são as reações sobre o uso do equipamento em figuras com certa posição social.

Para Simon, causa espanto o fato de, diariamente, milhares de pessoas pobres serem presas e algemadas Brasil afora e ninguém reclamar, ao passo que a reação é oposta quando uma autoridade, figura pública ou grande empresário aparece algemado nas páginas policiais. Ele deu como exemplo a prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Oportunitty, investigado e preso pela Operação Satiagraha.

“O governo tem de apoiar a polícia. Também deve haver um entendimento entre o Ministério da Justiça e a Polícia [Federal] para ver a forma de a polícia agir. Às vezes não há necessidade de alguns exageros”, ponderou Simon, dando como exemplo as fotos de presos na Operação Voucher que vazaram na imprensa do Amapá. Os investigados aparecem sem camisa e segurando uma placa de identificação, em situação vexatória – entre eles o ex-deputado federal Colbert Martins, agora ex-secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo.

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