“Estamos levantando acampamento, mas não indo embora”

Manifestantes dizem estar dispostos a ficar no gramado em frente ao Congresso o tempo que for necessário, mesmo sem estrutura. Polícia já está no local para operação de desocupação, que deve ser iniciada no início desta noite

Fábio Góis
Líderes dos dois principais acampamentos anti-Dilma instalados em frente ao Congresso disseram ao Congresso em Foco que não haverá resistência à ordem de desocupação da área, segundo determinação da Câmara e do Senado. No entanto, tanto o responsável pelo grupo Movimento Brasil Livre (MBL) no local, Pedro Cherulli, quando o líder do Revoltados Online, Marcelo Reis, dizem que muitos manifestantes estão dispostos a ficar no gramado em frente ao prédio o tempo que for necessário, mesmo sem estrutura.

“Estamos levantando acampamento, mas não estamos indo embora”, declarou Marcelo Reis à reportagem, informando que tendas, barracas e demais equipamentos de camping serão transportados para uma área privada, onde estarão prontos para próximas ações.

Marcelo diz ter encaminhado à Justiça ontem (sexta, 20) um mandado de segurança para que o grupo possa permanecer no local, mas ainda não teve resposta sobre a demanda. “Nada impede de ficar sentado no gramado também. Eles podem retirar a estrutura, mas não as pessoas. Ainda vai ter resistência. É só começo”, acrescentou o ativista, um dos principais articuladores de movimentos pró-impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

“Simbolismo”

Já o “prefeito” do acampamento que reúne grupos como MBL, o empresário Pedro Cherulli, diz já ter despachado caminhões com equipamentos para São Paulo. No entanto, informou ao site, cerca de 15 barracas continuarão no local como forma de protesto.

“É um simbolismo de que fomos mandados embora”, observou Pedro, para quem o balanço da ocupação, que teve início no começo de outubro, foi exitosa. Para ele, a mensagem de insatisfação popular com o governo e a política nacionais já foi dada, e agora o movimento é irreversível – ao contrário da aparente calmaria do acampamento na tarde deste sábado. “Tudo pode mudar.”

No começo da ocupação, mais de cem barracas chegaram a ser instaladas na área gramada em frente ao Congresso. Aos poucos, grupos iam chegando de todo o país e se reunindo em ações esporádicas e, por vezes, conflituosas. No encontro com movimentos pró-Dilma como a Marcha das Mulheres Negras, na última quinta-feira (19), por exemplo, houve até disparos de armas de fogo para cima, executados por dois policiais civis ligados a um terceiro acampamento, mais distante do Congresso.

 

 

Risco

Diante da situação e de outros episódios, como a apreensão de drogas em tenda da Central Única dos Trabalhadores instalada próxima ao local, e a prisão de um homem com um verdadeiro arsenal de combate (arma de fogo, soco-inglês, gás de pimenta etc), os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atenderam ao pedido do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollermberg, e determinaram a desocupação. Os acampados têm até a noite deste sábado para sair do local.

O Congresso em Foco apurou que, a exemplo dos dois acampamentos anti-Dilma, um terceiro, organizado por simpatizantes do regime militar, também está propenso a permanecer na Esplanada dos Ministérios, mesmo sem a estrutura montada no local. Em um momento agudo dos protestos, um deles chegou a dizer que os militaristas resistiram armados à determinação de retirada e, se a polícia insistisse, haveria uma “carnificina” no local. Ele foi desautorizado pelos próprios colegas, que disseram considerar a fala “um erro”.

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