Sérgio Machado dará depoimento no TSE em ação contra chapa Dilma-Temer

Oitiva será em 22 de outubro. Ex-presidente da Transpetro gravou coversas com peemedebistas como o senador Romero Jucá. Em uma delas, Jucá afirma, semanas antes da abertura do impeachment de Dilma, que era necessária uma “mudança” no governo para “estancar a sangria” da Lava Jato

Ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, nome do PMDB na subsidiária da Petrbras e um dos delatores da Operação Lava Jato, prestará depoimento em 22 de outubro na ação que investiga a denúncia de fraude eleitoral apresentada pelo PSDB contra a chapa Dilma-Temer, com pedido de cassação do grupo eleito em 2014. A oitiva será realizada na sede do Tribunal de Justiça do Ceará, onde Machado cumpre prisão domiciliar em razão de ter firmado acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato.

Como este site mostrou ontem (quinta, 13), também em depoimento ao TSE, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo disse que que o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) Oswaldo Borges da Costa pediu doação para a campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República, nas mesmas eleições de 2014. Segundo empresário, ele e Oswaldo se reuniram naquele ano para acertar o repasse. Trata-se de um efeito reverso da denúncia tucana, uma vez que esse depoimento foi prestado em função da própria ação movida pelo PSDB contra a chapa Dilma-Temer – o processo continua mesmo tendo sido reprovadas com ressalvas as contas da campanha da então presidenta Dilma Rousseff e seu companheiro de chapa, Michel Temer. A aprovação foi por unanimidade, mas o TSE, no transcorrer dos meses, recebeu novos elementos que justificaram a continuidade do processo. O PSDB questionou a aprovação por entender que há irregularidades nas prestações de contas apresentadas por Dilma. Conforme entendimento atual do TSE, a prestação contábil da chapa é julgada em conjunto.

Em sua delação premiada, Sérgio Machado mencionou um “acordão” para tirar Dilma da Presidência e interromper as investigações da Lava Jato. Áudios gravados por Machado flagraram peemedebistas discutindo o amplo acordo “com o STF, com tudo” – nas palavras do senador por Roraima Romero Jucá, um dos investigados do petrolão – para que Temer fosse içado à Presidência. O ex-presidente da Transpetro citou ainda uma doação de R$ 40 milhões do Grupo JBS, do setor frigorífico, para o PMDB, além de outro repasse ilícito ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), com o objetivo de viabilizar a candidatura do tucano à Presidência da Câmara, em 1998. Por fim, Machado relatou um pedido de recursos por parte de Temer para financiar a campanha, em 2012, do então candidato à Prefeitura de São Paulo Gabriel Chalita.

Assista à íntegra do primeiro depoimento de Sérgio Machado à Lava Jato:


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Operação abafa

Diante dos desdobramentos das delações, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou, em 6 de outubro, convites para que Sérgio Machado e o ex-chefe da Advocacia Geral da União Fábio Medina Osório compareçam ao colegiado para explicar declarações de que o governo Michel Temer tentou “abafar” a Operação Lava Jato. Os convites foram propostos pelo deputado Adelmo Carneiro Leão (PT-MG), mas enfrentavam resistência de deputados da base aliada de Temer.

O ex-ministro da AGU disse, em entrevista à revista Veja, logo após ser demitido por Temer, que o “governo quer abafar a Lava Jato” e que “tem muito receio de até onde as investigações possam chegar”. Fábio Medina, que caiu após atrito com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, contou que sua demissão ocorreu porque ele pediu que as “empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras devolvessem dinheiro aos cofres públicos”.

A comissão quer ouvir Sérgio Machado, um dos delatores da Lava Jato, a respeito de um diálogo que ele teve com o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Na conversa, gravada pelo próprio ex-presidente da Transpetro, Jucá afirma, semanas antes da abertura do processo de impeachment de Dilma, que era necessária uma “mudança” no governo federal para “estancar a sangria” da Lava Jato. A revelação da conversa resultou na saída do peemedebista do Ministério da Previdência, dois dias após sua posse.

 

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