Senador defende Lula contra reportagem de revista

Petista diz que Época deu contornos de condenação a um procedimento preliminar no MPF em reportagem sobre "tráfico de influência internacional". Revista visa macular trajetória do ex-presidente, disse Jorge Viana

Vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) subiu à tribuna do plenário nesta terça-feira (5) para defender o ex-presidente Lula do conteúdo de reportagem publicada neste fim de semana pela revista Época. Na matéria de capa, a publicação informa que o Ministério Público Federal abriu investigação para apurar a participação do cacique petista em negócios fechados por empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, com dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba. Os contratos somam US$ 4,1 bilhões, informa a semanal.

Jorge Viana disse que Lula sofre “injustiça” de setores da sociedade e que, graças às realizações do seu governo, o Brasil mudou para melhor. Para o senador petista, a reportagem de Época procurou macular a trajetória “de um dos maiores líderes deste país”. “Independentemente das falhas que possam ter ocorrido, não é justo que transformem as qualidades do presidente Lula em defeitos! Isso tem que ter fim. Não é possível! Isso beira o preconceito!”, vociferou o senador, referindo-se ao fato de que Lula, em suas palestras no Brasil e no exterior, é pago para promover a imagem do país e atrair investimentos.

Segundo Jorge Viana, a revista dá contornos de condenação a um procedimento preliminar no Ministério Público Federal, que ainda sequer foi transformado em inquérito. “A vida de brasileiros é destruída apenas porque se vai abrir um procedimento. É o caso! Não existe inquérito contra o presidente Lula, existe procedimento preliminar. E a revista Época trabalhou, como se Lula fosse um condenado, em cima de suposições. É isso que questiono”, reclamou.

O senador fez menção ainda ao fato de que o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso tem atividades similares à de Lula, mas não o mesmo destaque negativo na imprensa. Chamando FHC de “estadista”, Viana disse que o Brasil se desenvolveu graças aos “bons brasileiros”.

“Eu queria dizer que o presidente Lula andou pelo mundo todo, como o presidente Fernando Henrique, para receber homenagens, títulos de doutor honoris causa. O lugar que ele [FHC] mais visitou foram os Estados Unidos. Mas [Lula] não pode ir à África? Como é que funciona isso? Eles fazem palestras no Brasil e no exterior para vários setores, em vários países, como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia, Argentina, Espanha, Itália e outros. Mas agora tentam colar algo que é muito injusto para o presidente Lula”, arrematou o petista, que recebeu alguns apartes em plenário.

Um deles veio do líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), que fez questão de destacar o “profundo respeito pessoal” que diz ter por Lula. A exemplo de Viana, Cássio defendeu a livre imprensa – e, ao contrário do colega, concordou com o conteúdo da reportagem. “A revista Época tão somente noticiou um fato, que é a abertura de um procedimento investigatório por parte do Ministério Público Federal, e nós não podemos ter estranheza em relação ao funcionamento das instituições. Eu acho que o momento que o Brasil vive exige, mais do que em qualquer outro instante, o fortalecimento das instituições”, discursou o tucano.

Ontem (segunda, 4), por meio de seu instituto, Lula negou ser lobista e se valer da condição de ex-presidente da República “para cuidar de seus negócios”.  “Que fique bem claro, como respondemos à revista: o ex-presidente faz palestras e não lobby ou consultoria”, disse a longa nota do Instituto Lula, que elenca sete “mentiras” da reportagem.

Leia a reposta de Lula e as “mentiras” da reportagem por ele apontadas

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