Senado quer ouvir mulheres de presos políticos na Venezuela

Comissão de Relações Exteriores identifica violação de direitos humanos e prisão arbitrária. Um dos presos, prefeito de Caracas, é um dos principais opositores do chavismo

Enquanto o Senado centraliza as atenções para o chamado pacto federativo, com expectativa de revisão de dívidas estaduais, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou na tarde desta terça-feira (31) requerimento para que as esposas de dois presos políticos na Venezuela sejam ouvidas pelo colegiado. A iniciativa é do presidente da CRE, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

O convite da CRE será destinado a Mitzy Capriles de Ledezma, casada com Antônio Ledezma, e Lilian Tintori de Lopez, esposa de Leopoldo López. Ambos são opositores do regime bolivariano encabeçado pelo presidente Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez, morto em março de 2013.

Subscrito também pelo vice-presidente da comissão, Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), o requerimento aprovado pretende jogar luz sobre a situação política no país vizinho – que, para Aloysio, viola direitos humanos e ignora direitos dos presos.

Prefeito de Caracas, Antônio Ledezma foi preso em pleno exercício do mandato em janeiro, por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. A prisão foi justificada com a versão de que Ledezma é um dos artífices de suposta conspiração para tirar Maduro do poder. Em 24 de fevereiro, em meios a protestos populares, um adolescente de 14 anos foi morto por um tiro disparado pela polícia.

Já Leopoldo Lopez, ex-prefeito do município de Chacao, foi preso em fevereiro de 2014 sob acusação de ter estimulado a violência durante manifestações populares contra o governo Maduro. Na ocasião, protestos paralisaram o país em clima de caos social, em um contexto de severas restrições na oferta de serviços e produtos básicos de consumo. Ao todo, 43 mortes foram registradas.

Para Aloysio, o assunto deve ser tratado no âmbito do Senado brasileiro, uma vez que a Venezuela foi definitivamente incorporada ao Mercosul, em 2012, em boa medida graças à atuação do Brasil, na condição de líder continental. A Casa aprovou o processo de adesão em dezembro de 2009. “Trata-se, sem dúvida, de assunto da maior relevância, sobre cujo debate esta comissão não pode declinar pela importância de sua atribuição regimental e competência nesta Casa”, ponderou o tucano.

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