Sem registrar presença, oposição cria plenário paralelo para protestar e esvaziar votação

 

Deputados da oposição chegaram à Câmara, nesta quarta-feira (25), com faixas de "Fora, Temer" e com discurso de que tentarão impedir o quórum mínimo para iniciar a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de ter cometido os crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa. Marcada para esta quarta-feira (25), o início da votação do parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que recomenda o arquivamento do caso, depende da presença de pelo menos 342 deputados em plenário. O quórum, até agora, não foi atingido.

Durante a manhã, enquanto deputados da base aliada de Temer discursavam na tribuna da Câmara, a oposição criou um plenário paralelo, no Salão Verde, em frente à entrada do oficial. Com microfone, discursam a favor de que as denúncias contra o presidente sejam investigadas. Uma placa amarela com os dizeres "O plenário é aqui!" indica o local exato onde o ato está sendo realizado, além de uma faixa branca, segurada pelos próprios deputados, com a expressão "Fora, Temer".

Durante os discursos, deputados acusam Temer de promover um verdadeiro desmonte nos órgãos públicos. O deputado André Figueiredo (PDT-CE) acusou o presidente de liberar emendas como moeda de troca, bem como a anistia ao desmatamento e a recente e polêmica portaria do trabalho escravo, considerados como concessões à bancada ruralista.

"O governo transformou o Palácio do Planalto em um balcão de negociatas escusas. [...] A gente vê aí multas sendo anistiadas, que representam mais de R$ 2 bilhões em relação a desmatamentos ilegais. Quando a gente vê o trabalho escravo, o Brasil era um dos grandes expoentes no combate ao trabalho", ponderou.

Assista parte do  ato:

Na primeira denúncia, os deputados tentaram obstruir a votação, mas como o quórum foi garantido, acabaram se rendendo e comparecendo ao plenário.  Nesta segunda denúncia, Temer e políticos do PMDB, entre eles os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República de participar de um suposto esquema com objetivo de obter vantagens indevidas em órgãos da administração pública.

A ordem de votação dos estados será a mesma adotada na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e na votação da primeira denúncia contra Temer. A primeira denúncia contra Temer foi rejeitada em agosto último. Na ocasião, foram 263 votos contra a autorização, 223 favoráveis e 2 abstenções.

<< Os deputados que livraram Temer da primeira denúncia na Câmara

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