Sem quórum, CCJ adia pela 3ª vez análise de parecer que pode salvar Cunha

Aliado do peemedebista propõe que o Plenário analise um projeto de resolução, e não o parecer do Conselho de Ética, o que permite a apresentação de emendas para tornar mais branda a punição ao deputado afastado

Sem quórum, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), novo campo de batalha do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cancelou a reunião desta quinta-feira (9) e adiou a discussão do parecer que pode alterar o rito de votação do processo de cassação do presidente afastado da Câmara no plenário. Esta foi a terceira tentativa frustrada de analisar o relatório do deputado Arthur Lira (PP-AL). A próxima reunião foi marcada para terça-feira (14).

O cancelamento foi apontado por aliados de Cunha como uma manobra de seus adversários para atrasar a análise do parecer. Só 16 parlamentares registraram presença – número bem inferior aos 34 exigidos para a abertura da sessão.

Aliado de Cunha, Lira propõe que o plenário analise um projeto de resolução, e não o parecer do Conselho de Ética. Nesse caso, os deputados poderiam alterar, em plenário, o conteúdo do relatório final por meio de emendas, o que não é possível fazer atualmente, reduzindo inclusive a punição prevista. Agora, se o Conselho recomendar uma pena mais branda, como a suspensão do mandato, o Plenário não poderá apresentar emendas que prejudiquem o peemedebista.

O relator no Conselho de Ética, Marcos Rogério (DEM-RO), propôs a cassação de Eduardo Cunha. A estratégia dos adversários do presidente afastado da Câmara é continuar postergando a análise do parecer de Arthur Lira. Caso haja quórum para a próxima reunião, eles pedirão vista do parecer, o que adiará a votação em mais duas sessões. A estratégia é derrubar o parecer de Lira e aprovar o voto em separado apresentados pela bancada do Psol.

O voto em separado foi protocolado pelos deputados Chico Alencar (Psol-RJ) e Ivan Valente (Psol-SP). Ambos recomendam que o plenário só vote o projeto de resolução com o resultado final do Conselho de Ética se a pena aprovada pelo colegiado for a suspensão ou cassação do mandato.

Troca

Uma manobra em curso por aliados do presidente afastado da Câmara na CCJ é a troca de membros da comissão por aliados fiéis. Ontem (8), dois deputados do PR foram substituídos para garantir votos que permitam a aprovação da alteração regimental. O líder do PR tirou os deputados Jorginho Mello (SC) e Paulo Feijó (RJ).

Os dois foram trocados, respectivamente, por Laerte Bessa (PR-DF) e Wellington Roberto (PR-PB), conhecidos defensores de Cunha. Eles já declararam apoio à mudança no regimento que favorece o presidente afastado. Bessa e Wellington Roberto estão entre os principais defensores de Cunha no Conselho de Ética.

Mais sobre CCJ

Mais sobre Legislativo em crise

 

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!