Secretário de Cultura de Temer participou de ato contra extinção do MinC

Como titular da Secretaria Municipal de Cultura do Rio, Marcelo Calero participou de encontro promovido por artistas para repudiar a extinção de ministério. Discussão resultou em carta aberta a Temer que aponta incorporação ao Ministério da Educação como retrocesso de 30 anos

O novo secretário nacional de Cultura, Marcelo Calero, participou de um ato promovido por artistas na última segunda-feira (16), no Rio, contra a extinção do Ministério da Cultura (MinC) e a incorporação da pasta pelo Ministério da Educação. No encontro, organizado pela Associação dos Produtores de Teatro do Rio, atores e produtores culturais assinaram uma carta aberta pedindo a volta do MinC. Segundo a secretaria municipal, Calero foi convidado para ouvir as demandas da classe artística. Entre os participantes do encontro estavam o cantor Roberto Frejat, os atores Marco Nanini, Marcelo Serrado e Tonico Pereira, as atrizes Marieta Severo, Renata Sorrah e Bruna Linzmeyer e a produtora Paula Lavigne, da ONG Procure Saber.

Na carta, destinada ao presidente interino Michel Temer, os artistas classificam a extinção do Ministério da Cultura como um retrocesso de 30 anos. Segundo eles, o enxugamento da máquina administrativa não justifica o desmonte de uma estrutura dedicada à guarda e preservação da identidade nacional.

O nome do novo secretário nacional de Cultura foi anunciado ontem pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, após a recusa de diversas mulheres, como a jornalista Marília Gabriela, a atriz Bruna Lombardi e a cantora Daniela Mercury. Aos 33 anos, Marcelo Calero comandará o setor em nível nacional, no novo arranjo ministerial definido pelo presidente interino Michel Temer – com a estrutura do Ministério da Educação integrada à pasta de Educação.

Em seu pronunciamento, Calero defendeu o diálogo com os representantes do setor. “As pessoas sabem que eu sou diplomata de formação, por essa razão inclusive o diálogo e o entendimento fazem parte da minha trajetória”, disse o novo secretário.

Em meio a uma onda de reclamações, Mendonça Filho defendeu a fusão das pastas da Educação e da Cultura. Motivo de ocupações de espaços culturais Brasil afora, o arranjo ministerial tem sido alvo de críticas principalmente por parte de artistas, produtores culturais e gestores ligados à área cultural. E, como este site mostrou no último sábado (14), o próprio Mendonça virou alvo de protestos.

“O que na ótica de alguns seria um fato negativo para a cultura do Brasil, eu insisto que fortalecerá e incrementará toda a política cultural, na medida em que a política educacional tem tudo a ver com a política cultural”, argumentou o ministro. Para ele, a área da cultura se beneficiará com a capilaridade das polícias educacionais.

Veja a íntegra da carta dos artistas a ser entregue a Temer:

"Às vésperas das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, o setor cultural recebe com repúdio a Medida Provisória que extinguiu o Ministério da Cultura. Este ato promoveu um retrocesso de 30 anos. O MinC é uma conquista da sociedade brasileira e não pode deixar de existir, especialmente num cenário de ausência completa de debate com os interlocutores necessários.

A alegada demanda por uma máquina pública enxuta não pode ser implementada à custa do desmonte de estrutura dedicada à guarda e preservação da identidade nacional.

Encaminhamos este documento público para expressar a fundamental importância da permanência do Ministério da Cultura, como órgão superior e nacional para formulação de políticas a altura da relevância de um projeto de cidadania e desenvolvimento."

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