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Secretária perde R$ 6 mil com mudança, e acha normal

Eduardo Militão
A secretária comissionada Izabella Chaves de Brito trabalha para o PSC pelo menos desde 2008. O levantamento do Congresso em Foco apurou que, em 14 meses, sua remuneração teve aumentos de 569% e reduções de 78%. Até março de 2009, seu salário bruto era de R$ 2 mil.


É quando ela recebe um gordo adicional no seu contracheque. Lotada agora na Comissão da Amazônia, Izabella recebe um aumento de 233%: passa a ganhar R$ 6.500. Mas isso dura apenas um mês. Em abril, ela fica desempregada. Mas, da mesma forma, será apenas um mês de aperreio. Porque em maio ela ingressa no gabinete do deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), filho do vice-presidente do partido, Everaldo Pereira. Para ganhar, então, R$ 1.400. Em seguida, RS 200 a menos: salário de R$ 1.200. Nada que não se resolva logo, porque Izabella transfere-se para o gabinete do deputado Takayama (PSC-PR) e passa a ganhar R$ 8 mil, ou 569% a mais, o maior aumento salarial do grupo de funcionários pesquisado. Em maio deste ano, Izabella é novamente transferida, agora para a liderança. E volta a ganhar o que recebia no início do ano passado, R$ 2 mil, ou seja, 76% menor. Uma perda de R$ 6 mil.


De acordo com Izabella Chaves, fosse quando recebia R$ 12 mil ou quando recebia R$ 1.200, suas funções na comissão e nos gabinetes foram sempre as mesmas: serviços de secretária – atender telefones, levar documentos e fazer ofícios. Na liderança, somaram-se às atividades participar de reuniões com o líder, fazer anotações e ficar à disposição dele.


Apesar das mudanças salariais sem mudança de trabalho, Izabella Chaves disse ao Congresso em Foco que seu orçamento não sofreu sobressaltos com as imensas mudanças salariais que teve. “Não, eu não reclamei de nada. Eu fui para a Liderança com o salário que eles me colocaram. Não tem nada que argumentar”, disse a funcionária.


Izabella diz o mesmo que vários colegas dela ouvidos pelo site: “Eu prefiro estar trabalhando do que estar desempregada”. O corregedor da Câmara, deputado ACM Neto (DEM-BA), concorda que, em algumas situações, os funcionários comissionados até se submetem a ganhar muito menos do que recebiam apenas para não ficar desempregados. “Agora é saber o seguinte: a pessoa consegue viver com tal variação de salário?”, questiona o deputado. Izabella Chaves diz que sim.


Estrutura própria
 
Caso semelhante viveu o jornalista e fotógrafo Fernando Nunes Chaves. Sempre na função de assessor de imprensa, ele viu salário cair 52% e subir até 102% num período de 11 meses. Ele está na Câmara pelo menos desde 2002, trabalhando para o PSC desde 2007. Na Liderança, Chaves recebia R$ 9 mil até março do ano passado, quando foi para a Comissão da Amazônia com a mesma remuneração – o maior salário permitido para um CNE à época. Mas em maio, seu rendimento caiu para R$ 4.300, quando retornou à liderança. Só recuperou o salário anterior em abril deste ano, na Comissão de Segurança. No dia 18 de outubro, foi exonerado do cargo.


Chaves disse ao Congresso em Foco que espera ser recontratado por algum dos deputados do PSC devido à experiência e ao conhecimento que os parlamentares têm de seu trabalho.


Na primeira vez em que foi questionado pelo site sobre como fez para equilibrar seu orçamento após perder 52% de sua remuneração, ele disse que isso não mudou sua situação, pois faz serviços como autônomo. “Eu tenho minha vida, eu faço free lancer, sou fotógrafo profissional”, contou Chaves. “Eu tenho estrutura.” Chaves também contou que não discutiu com os deputados para poder manter sua remuneração. “Não existe negociação com deputado nenhum”, afirmou ele. O fotógrafo disse que o importante era manter seu emprego.


Mais tarde, depois que reclamar sobre as perguntas que lhe eram feitas, Chaves disse que certa vez teve problemas financeiros com a redução salarial. “Passei um sufoco, passei. Tô aqui vivo”, afirmou o fotógrafo. E afirmou que o líder do PSC, Hugo Leal, lhe comunicou que a redução salarial seria temporária. Boletins administrativos da Câmara mostram que Chaves perdeu o salário de quase R$ 9 mil em 9 de setembro de 2008, baixado então para R$ 1.900.


Chaves disse ainda que, antes de ser ligado ao PSC, teve uma redução salarial ao sair da Ouvidoria da Câmara e ir para a Comissão de Desenvolvimento Econômico. Mas o Congresso em Foco não localizou reduções nesse período. Só houve aumentos salariais de 2002 até o fotógrafo ingressar nos quadros da Câmara sob subordinação do PSC.

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