Sebastião Salgado foi espionado por militares depois da Lei da Anistia

IstoÉ entrevista fotógrafo e o informa sobre espionagem. Maioria dos relatos da repressão feitos em documento confidencial, diz Salgado, não passa de "fabulação"

Reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana revela que o fotógrafo Sebastião Salgado, profissional de renome internacional, foi investigado pelos militares depois da promulgação da Lei da Anistia, à época da reabertura política. A matéria remonta à época com o relato sobre o regresso de Sebastião ao Brasil, nos estertores da ditadura militar, e detalhes sobre o desembarque do fotógrafo em 31 de dezembro de 1979, no Rio de Janeiro, depois de dez anos no exterior.

“O retorno se tornara possível com a assinatura da Lei da Anistia, quatro meses antes, pelo então presidente, João Figueiredo. Desde 1969, Salgado e sua mulher, Lélia Wanick, viviam em Paris. Haviam saído do Brasil em decorrência do Ato Institucional n° 5 (AI-5), o pacote de normas arbitrárias baixadas pela ditadura militar para aumentar a repressão contra os adversários. O regresso carregava, então, uma forte carga emotiva e era, também, um compromisso profissional do fotógrafo. Na ocasião, ele trabalhava para a agência internacional Magnun e a viagem ao Brasil tinha como objetivo a realização de um projeto fotográfico com foco no Norte e no Nordeste. Salgado não sabia, mas – embora o Brasil estivesse em fase de abertura política – sua jornada no território nacional estava sendo vigiada por espiões dos serviços secretos das Forças Armadas”, diz a introdução da matéria, com base em documento confidencial produzido pelo DOI-Codi, o serviço de inteligência da repressão.

A revista, que entrevistou Salgado e o informou sobre a espionagem (“Nunca tive conhecimento de que estava sob observação dos militares”), diz que a prova da ação militar está no “Relatório de operações (Relop) nº 23”, com data de 10 de abril de 1980 e produzido pelo destacamento do DOI-Codi em Brasília. Para Salgado, a maior parte do material produzido, repleto de erros apontados pela revista, é fruto de “fabulação”.

“Os problemas [do fotógrafo] com os militares começaram ainda no tempo de estudante no Brasil. Antes de trocar a América do Sul pela Europa, Salgado participou de mobilizações estudantis contra a ditadura e se aproximou da Ação Popular, uma das organizações de esquerda que combateram o governo militar. Com o endurecimento do regime, ele e [sua esposa] Lélia se mudaram para Paris. Na capital francesa, o casal atuou na rede de solidariedade aos exilados brasileiros, e também de outros países, que chegavam depois de passar por prisões e torturas. Os dois não sabiam, mas já nesse período eram espionados”, acrescenta a revista IstoÉ.

Confira a íntegra da reportagem:

Ditadura espionou o fotógrafo Sebastião Salgado

 

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